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Amazonas pretende adotar modelo de piscicultura desenvolvido em Mato Grosso

Mato Grosso é responsável por cerca de 20% da produção do pescado do País. Modelo de criação de peixes em tanques redes é analisado por comitiva

MANAUS – Mato Grosso produz 75 mil toneladas de pescado por ano, segundo dados do Instituto Brasileiro  de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado é responsável por cerca de 20% da produção total de pescado do País, e é o primeiro no ranking nacional. Os projetos de piscicultura são analisados por uma comitiva do Amazonas para adotar o modelo de criação de peixes em tanques redes no Estado.
“Trata-se de uma viabilidade de produção mais econômica e que permite o compartilhamento da estrutura montada entre dois ou três produtores”, afirmou o secretário de estado de Produção Rural e Sustentabilidade do Amazonas, Sidney Leite.
Além do secretário Sidney Leite, que lidera o grupo, integram a comitiva o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço; presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), Miberwal Jucá; o secretário executivo de Pesca e Aquicultura do Amazonas, Geraldo Bernardino; e os deputados estaduais Dermilson Chagas e Orlando Cidade.
Um estudo realizado no ano passado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) identificou dois sistemas potenciais de intensificação em Mato Grosso: o de criação de peixes redondo em tanques redes, na barragem do Manso, e a produção de bagres de couro, em sistemas de fluxo contínuo de água, conhecidos como “raceway”, na região de Sorriso. Estes seriam os modelos a serem estudados para aumento da produtividade por hectare de lâmina d’água a partir da adoção de novas tecnologias.
Enquanto o tanque-rede aproveita a enorme quantidade de volume de água em represas e tem custo avaliado de R$ 90 mil por unidade instalada, o sistema “raceway” trabalha um grande fluxo de água nos tanques escavados, cujo valor de investimento chegou a R$ 1,1 milhão em construções de tanques para a recria, engorda e decantação, na região.
A viabilidade econômica do tanque-rede se baseou em uma produção anual de 200 toneladas de peixe redondo, em gaiolas de 600m3, instaladas na represa do Manso, localizada nos municípios de Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia. A capacidade de suporte é de 25 toneladas por ano. Para este modelo, a infraestrutura terrestre de apoio são uma casa e um galpão, de acordo com estudo do Imea.Ainda assim, o modelo é o menos utilizado no Estado, representando 0,37% da piscicultura local. O viveiro escavado é mais adotado pelos produtores (78,44%), seguido por barragens (21,19%). Mato Grosso tem em média 3,66 hectares de lâmina d’água, sendo o centro-sul a região do Estado com a maior área destinada para a piscicultura, com tamanho médio de 10,20 hectares.   
Meta 
A Secretaria estadual de Produção Rural e Sustentabilidade (Sepror) tem como meta para este ano a viabilização de mil hectares de lâmina d’água no Estado da Região Norte. “É uma política do Governo de incentivo à atividade entre o pequeno e médio produtor”, explica o secretário do Amazonas, Sidney Leite.
Um dos desafios é conseguir uma política de desoneração da ração, que hoje inviabiliza a atividade em algumas regiões do Amazonas, cujo território é o maior do País, ocupando uma área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados. A principal fonte de alimentação dos peixes de cativeiro representa 70% da produção. O Projeto de Lei nº 1.151/2015, que concede os mesmos benefícios fiscais à ração do setor pesqueiro aos já outorgados aos bovinocultores e avicultores, tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília. O objetivo é fazer com que a produção aquícola do País cresca 20% em 5 anos, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura.

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