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Dia de campo reúne piscicultores pioneiros e novos da baixada cuiabana

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Primeiros piscicultores falaram sobre o passado e futuro do ramo do agronegócio portador de oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores

Esta sexta-feira foi um dia especial na Fazenda Medalha Milagrosa, no município de Nossa Senhora do Livramento. Mais de 150 pessoas, entre elas os pioneiros da piscicultura na baixada cuiabana e em Mato Grosso, novos produtores de peixe e muitos interessados em ingressar na atividade, lá se reuniram para o dia de campo do Encontro de Piscicultores, promovido pelo Sebrae em Mato Grosso e parceiros (UFMT, Aquamat, Embrapa e prefeitura municipal). Eles percorreram quatro estações, onde havia consultores passando conhecimento e informações técnicas e práticas para o cultivo de peixes em viveiros. 
Nossa Senhora do Livramento está em terceiro lugar no ranking nacional de produção de peixes, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),divulgada em dezembro passado. E em segundo lugar na classificação estadual, atrás apenas de Sorriso, campeã nacional e estadual em produção de peixes de água doce. 
Na baixada cuiabana, os produtores de peixe são centenas, especializados em espécies do Pantanal em lâminas de água pequenas e abastecidas com água de chuva. Catorze mil toneladas foram produzidas em 2013 na região de Nossa Senhora de Livramento. 
A piscicultura de Sorriso é bastante diferente da baixada cuiabana. Lá há poucos e grandes produtores de grãos que investem na produção de peixes da Amazônia em lâminas gigantes com alta tecnologia. A região de Sinop e Sorrisoproduziu 21 mil toneladas em 2013, segundo o IBGE e conquistou o primeiro lugar no ranking nacional de produção de peixes.
Pioneiros
Benedito Norberto Barros, pioneiro da piscicultura em Várzea Grande, começou a criar peixe, há mais de 20 anos.“Antigamente a gente não sabia com que estava mexendo. Enfrentamos muito problema com a lei. Fui preso duas vezes com peixe. Hoje, tem ração, informação e podemos criar”, compara.  Ele é conhecido como Dito (apelido) do Peixe Livre (nome de sua empresa especializada em varejo de peixe fresco).
A Peixe Livre comercializa tambacu e tabatinga produzidos na propriedade de Dito. O negócio é bom, diz satisfeito. “A piscicultura está em expansão. Vai crescer muito. Peixe é a carne mais barata e saudável que há. Como peixe todos os dias”, revela.
Outro pioneiro da piscicultura mato-grossense, que estava no dia de campo, era o médico veterinário Adair José de Morais. Ele conta que trabalhou como extensionista, desde a década de 70, e acompanhou a montagem de mais de 600 fazendas no estado.  Foi presidente da Emater MT por duas vezes. O primeiro projeto de piscicultura foi em 1994, se recorda. É um dos fundadores da Associação de Aquicultores do Estado de Mato Grosso (Aquamat), parceira do Sebrae MT, e foi o primeiro presidente da entidade.
Seu filho, Darwin Morais, é piscicultor e o sucedeu na presidência da Aquamat . Dr. Adair, como é chamado, atua como consultor de piscicultura. No momento, também integra a Câmara Técnica de Piscicultura do governo estadual, onde ajuda a pensar estratégias e políticas públicas para o desenvolvimento do segmento.
“Acho muito bacana eventos como este do Sebrae MT. Quando começamos, não havia isso.  Sempre acreditei na piscicultura em Mato Grosso, mas não sabia que ia progredir tão rápido”, afirma. Dr. Adair é autor de dois livros importantes para quem está ingressando a atividade:” Piscicultura para principiantes” e “Como começar uma piscicultura comercial” (em parceria com Francisco Chagas Medeiros, consultor do Sebrae MT).
Presença feminina
Dona Maria da Glória Bezerra Chaves foi a terceira presidente da Aquamat. Quando se aposentou, resolveu montar uma piscicultura. Seu pai era fazendeiro em Chapada dos Guimarães, onde foi criada e tudo era produzido para a família. Certa vez, ele tentou criar peixe, mas não foi feliz, conta ela. Desde pequena, ficou com esta ideia na cabeça. Criar peixe se tornou um desafio, que resolveu encarar mais tarde.
Ela cria tabatinga em 4,3 ha de lâmina d’água. “Sou pequenininha”, diz humildemente. A piscicultora faz questão de participar de todos os eventos do ramo, pois sempre aprende alguma coisa, comenta.
Conta que está fazendo uma experiência, no momento, com uma nova espécie híbrida: o pirarucu. “O nome é meio feio, mas a carne é muito boa. É a mistura de pacu, do Pantanal, com pirapitinga, da Amazônia”, informa. Revela que ganhou alguns alevinos de técnico da Empaer para que experimentasse. “Ganhei porque ele sabe que sou cuidadosa”, esclarece. O Pirarucu promete, prevê a piscicultora.
Biólogo
Francisco Marques, biólogo e pós-graduado em peixes, é referência para o segmento como produtor de alevinos e engorda. Ele é de Várzea Grande. “Sempre acreditei na piscicultura. É proteína de primeira qualidade e a mais consumida no mundo”, afirma.
A baixada cuiabana é o berço do Pantanal e o melhor lugar do planeta para criar peixe, diz Chiquinho, como é mais conhecido. ” Mas falta crédito para o segmento”, reclama. A piscicultura mato-grossense foi desenvolvida, até agora, graças ao esforço e recursos financeiros próprios dos produtores.
“Temos água, tecnologia e  biodiversidade. Produzimos o peixe mais ecológico do mundo, pois criamos peixe em reservatórios com água de chuva. Não mexemos nos rios”, argumenta. Chiquinho diz que a soja ‘puxa’ peixe. “Comercializar soja foi difícil no início. Vai ser a mesma coisa com o peixe. Em dez anos, vamos ser auto-suficientes”, profetiza.
A falta de estradas em Mato Grosso é um problema que só será resolvido com a privatização das rodovias e a implantação de outros modais, acredita o biólogo. O produtor de alimentos é discriminado, segundo ele. “Não somos jeca tatu. Está cheio de gente com curso superior no campo. O mundo rural mudou muito”, dispara.
Chiquinho também foi fundador da Aquamat. Ele diz que o apoio do Sebrae MT foi fundamental para o crescimento do segmento.

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