Com apoio da Alltech, Guabi renova plano de expansão

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Com o negócio, a empresa americana deixou de ser refém das fábricas misturadoras de aditivos e vitaminas de terceiros.

Custos em alta, demanda enfraquecida e clientes sem acesso a crédito. Depois de um ano “doido” como foi o passado, diz o engenheiro André Litmanowicz, 2017 começou com novas alternativas – e mais recursos – capazes de colocar a paulista Guabi entre as protagonistas do processo da consolidação da indústria brasileira de nutrição animal. No comando da empresa, Litmanowicz (foto) passou a contar, em novembro, com o poder de fogo da Alltech, companhia americana especializada em aditivos usados em rações. Foi quando a múlti, que fez mais de uma dezena de aquisições nos últimos quatro anos, adquiriu 51% do capital da Guabi, que faturou R$ 460 milhões em 2016. O valor da transação não foi revelado. “Tínhamos planos, mas simplesmente não estávamos fazendo com que eles acontecessem”, afirmou o executivo.

Com o negócio, a americana, por sua vez, deixou de ser refém das fábricas misturadoras de aditivos e vitaminas de terceiros – mais conhecidas como “premixeiras”. Em julho, quando anunciou a intenção de fazer uma aquisição no país, o diretor-geral da Alltech no Brasil, Clodys Menacho, foi claro: “Nossas soluções dependem de outros para serem utilizados. Por isso, nos obrigam a entrar no segmento de premix”. Na prática, as duas companhias terão operações independentes, explicou o diretor estratégico da Alltech no país, Paulo Rigolin. Mas ambas decidirão em conjunto os passos da Guabi. Por meio de um acordo de acionistas, os antigos controladores da brasileira terão três assentos no conselho de administração da companhia. A Alltech terá outros três.

Recém-chegado ao país após dez anos nos EUA, onde comandou as operações globais de aditivos para aves da Alltech, Rigolin terá a missão de manter o Brasil como o segundo maior mercado para a americana. No ano passado, a multinacional faturou cerca de R$ 400 milhões no país e US$ 2,6 bilhões globalmente. Para tanto, expandir as operações da Guabi, sobretudo em premix, produto voltado a aves e suínos, será vital. “Não podemos deixar de participar do mercado do maior exportador de frango do mundo. A Alltech já atua em aditivos para aves e agora é identificar oportunidades para a divisão de premix da Guabi”, afirmou Rigolin.

Na avaliação de Litmanowicz, o negócio de premix é a área em que a Guabi está mais sub-representada. Segundo ele, a empresa já atingiu a plena capacidade de produção de premix em suas fábricas. Sendo assim, terá de buscar aquisições ou parcerias para ampliar sua atuação. Atualmente, as vendas de ração da Guabi estão divididas em cinco áreas: bovinos, equinos, aquicultura, “criações caseiras” e premixes. As três primeiras representam, cada uma, 25% das vendas. A participação restante está dividida entre os dois outros segmentos. A área de cães e gatos, onde a marca também é conhecida, não faz mais parte da Guabi desde 2013, quando os negócios de animais de produção e de animais de companhia foram separados. A Guabi também tem planos para crescer no Centro-Oeste e no Nordeste do Brasil – a aquicultura é forte na região, puxada pela produção de camarão em cativeiro. De acordo com Litmanowicz, a expansão no Centro-Oeste deve ocorrer em até dois anos, também com aquisições ou parcerias. Mas construir uma nova fábrica na região não faz sentido, afirmou. “Quando você constrói uma fábrica do zero, na verdade está disputando matéria-prima”, disse. Com o apoio da Alltech, a Guabi também pretende ampliar suas exportações de ração, que representam só 2% da receita, principalmente para América Central e África. A Guabi não tem estrutura fora do país, ao contrário da Alltech, e agora espera que as exportações alcancem 5% da receita total já neste ano.

Fonte: Pork World

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