No agronegócio, o que esperar de 2018?

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O sucesso do setor nada tem a ver com o governo usurpador. Quando se pega a lupa, porém, as mazelas são temerosas

E voltamos com a coluna.

Na edição impressa nº 984, CartaCapital pede a 15 personalidades opinião sobre “que esperar de 2018”.

As análises passam pela volta do Brasil à insignificância internacional, retrocessos econômicos com o rentismo sobrepondo-se aos setores produtivos, ameaças com a continuidade de um sistema judicial baseado em delações e indícios, prognósticos eleitorais, perda de direitos, e a mesmice em mais de meio século de história, que em meus textos chamo de Acordo Secular de Elites para sustento da Federação de Corporações.

O auge está no que hoje em dia assistimos. Insinuado já em 2003, no primeiro mandato de Lula, com resultado pífio diante do sucesso da gestão governamental, continuou sendo tramado até que, em abril de 2016, o corpo mole da oposição se fez núcleo duro, aliando-se Congresso, Judiciário e Mídia para trazer o caos atual. Escreveu o Diretor de Redação, Mino Carta: “nunca em quase 72 anos de Brasil sofri como agora tamanho desencanto com a situação do País”.

Embora não tenha sido chamado a opinar, confirmaria o mesmo travo amargo na boca. Mas, também, sua mesma esperança: “sei, porém, que o desafio de Lula à injustiça e ao desgoverno ainda dará frutos”.

A lamentar, a total ausência de comentários sobre caboclos, campesinos, sertanejos, ruralistas sem bancadas, visitas frequentes de Andanças Capitais neste site, quando se expande aos agronegócios.

Pois é, “que esperar de 2018”. Não me perguntaram, assim mesmo respondo. Não há demérito nenhum em comemorar o que vai bem, sobretudo quando se recorre a Paulinho da Viola: “vista assim do alto, mais parece um céu no chão”. Até porque o sucesso do setor nada tem a ver com o governo usurpador. Já, quando se pega a lupa, a coisa pega e, aí sim, em grande parte, as mazelas são temerosas.

Grãos, volumes, valor da produção e preços

Pouco liguem ao que as folhas e telas cotidianas divulgam, baseadas nos levantamentos de CONAB, IBGE, Ministério. Ainda não se têm noção exata do que irá acontecer. O clima correu bem em praticamente todas as regiões; previsão de queda na produtividade da soja começa a ser revista; tecnologias foram aplicadas; área, produção e produtividade se manterão estáveis ou podem crescer.

Pouco importa oscilações no valor total bruto da produção. Certamente, se manterão no intervalo entre R$ 530 e 550 bilhões. Nada que possa enfraquecer o setor.

Depois de atingirem seus picos entre 2011 e 2014, as cotações das commodities agrícolas tiveram queda média de 25%, se recuperaram em 8% e, assim, permaneceram estáveis durante 2017. Apesar das altas produções em EUA, Brasil e Argentina, deverão se manter. Basta orar às divindades chinesas.

Em seus pratos executivos ou refeições a quilo, não será o setor primário agrícola que assaltará seus bolsos. Estes é que estarão vazios devido à política contracionista do governo.

Infraestrutura

Puta nó. Dificulta a competitividade da agropecuária e aumenta o desperdício de alimentos. Nada esperem. Em ano eleitoral, tudo será promessa. O modelo econômico, sob comando de Henrique Meirelles, não permite investimento público e favorece a atividade rentista em detrimento da produtiva.

Amazônia e meio ambiente

Continuará sem uma política que, ao mesmo tempo, preserve o ambiente e proporcione renda às populações locais, extrativistas ou não, mas honestas. Atividades adequadas à biodiversidade da região e que possam agregar renda aos trabalhadores da região.

Nossas terras têm palmeiras onde cantam sabiás

Continuarão sendo vendidas a estrangeiros, desrespeitando legislação e regulamentação anteriores. Pior, as leis serão afrouxadas por ação da bancada ruralista. Hoje em dia, vários estratagemas são usados para burlar a lei. A lassidão apenas lhes trará menos trabalho e custo com advogados.
FIESP

Não acreditem em seu relatório de perorações “Outlook FIESP – Projeções para o Agronegócio Brasileiro 2027” (chique, não?). Ao atrelar resultados positivos no campo às reformas Temerosas, faz política.

Inovações tecnológicas

Muitas. Pena não chegarem à iniciativa privada ou vencerem convenção e submissão às multinacionais dos plantadores brasileiros. No planeta, cresce a utilização de resíduos orgânicos, úteis ambientalmente e de baixos custos. Permitem reduzir as aplicações de agroquímicos e diminuem a dependência de energia oriunda de combustíveis fósseis.

Nossa salada diária

Mesmo que ainda inacessível a milhões de brasileiros, e talvez por isso mesmo, os produtores de hortaliças sofrem a cada ano mais. Ajuda nisso a bancada de apresentadores do Jornal Nacional (TV Globo), que arca as sobrancelhas e escolhe os vilões da vez.

Segundo estudo encomendado pela CNA à consultoria Markestrat, de Ribeirão Preto/SP, dos US$ 20 bilhões gerados pelo setor, apenas 25% ficam com os produtores. O saldo vai para distribuição e varejo.

Fonte: Carta Capital

 

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