A Guerra Comercial entre EUA x China e o nosso Agronegócio

O dia 22 de julho começou movimentado, uma séria de notícias movimentou nosso mercado em diversas direções, alguns setores conseguiram crescer, outros setores retraíram um pouco, mas o Brasil que vive uma época obscura por conta da Pandemia de Covid19 e por causa dos desencontros dos governantes quanto as melhores medidas a ser tomada nesse momento, recebeu uma notícia logo no começo do dia que pode ajudar ainda mais na retomada do nosso crescimento.

Em meio a uma campanha acirrada para se reeleger nos EUA, o atual presidente Donald Trump, tomou a decisão de fechar a embaixada da China na cidade de Houston – TX, o estado do Texas é um importante reduto politico para quem esta na corrida eleitoral e que vota tradicionalmente a favor dos republicanos, essa atitude vem de encontro a agenda defendida pelo atual presidente que já trava uma queda de braço com o país ocidental desde sua posse em 2017.

As declarações vieram depois que indivíduos não identificados foram filmados queimando papel em caixas no pátio do edifício da embaixada chinesa. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou a China de patrocinar hackers que tinham como alvo laboratórios que desenvolvem vacinas para covid-19. Dois cidadãos chineses, que supostamente espionaram empresas de pesquisa americanas e obtiveram ajuda de agentes do Estado para outros crimes, foram formalmente acusados.

Esse é mais um capitulo de uma série de atritos que os dois países vivem, outra que ainda está se desenrolando é o acordo comercial mútuo entre os dois países que não passou da primeira fase e com todos esses atritos tende a ser desfeito.

E é nesse ponto que o Brasil se beneficia, pois, o principal e primeiro ponto desse acordo prevê que China deve comprar produtos agrícolas dos EUA logo no início do fechamento do acordo e como qualquer roubo de propriedade intelectual deve ser punido com rigor, fez-se a a brecha para as atitudes de Donald Trump. Segue abaixo alguns pontos principais da 1 fase do acordo:

Compras chinesas

  • A China deve comprar US$ 12,5 bilhões em produtos agrícolas dos EUA no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões no segundo ano;
  • O governo chinês se comprometeu a comprar US$ 18,5 bilhões em produtos de energia no primeiro ano e US$ 33,9 bilhões no segundo ano;
  • A China terá de comprar US$ 32,9 bilhões em manufaturadas dos EUA no primeiro ano e US$ 44,8 bilhões no segundo ano;
  • O governo chinês se comprometeu a adquirir US$ 12,8 bilhões em serviços dos EUA no primeiro ano e US$ 25,1 bilhões no segundo ano.

Propriedade intelectual

  • Os dois países podem ser punidos pelo roubo de informações comerciais consideradas sigilosas. A China também terá de proibir roubos cibernéticos;
  • Foram criados mecanismos para resolver disputas sobre patentes de medicamentos.

Transferência de tecnologia

  • Não será permitido que empresas sejam obrigadas a transferir tecnologias para “aquisições, associações ou outras formas de investimento”.

Agricultura

  • As barreiras de comércio para complemento alimentar para lactantes, carne bovina, carne de porco, frutos do mar e biotecnologia agrícola devem ser aliviadas.

Serviços financeiros

  • O governo chinês terá de reduzir os entraves para a entrada de serviços financeiros no país;
  • A China terá de permitir que empresas dos EUA possam participar da oferta de produtos destinados para seguro de vida, saúde e aposentadoria.

Com a quebra desse contrato, toda essa exportação de soja, minério e carne pode ser rapidamente direcionado ao Brasil, por, já termos bom relacionamento com chineses e termos empresas aprovados para fornecimento de produtos.

É hora de aproveitarmos as fragilidades dos nossos concorrentes e fortalecer a comercialização com acordos mais robusto e melhor negociado, favorecendo que temos de melhor. Lembrando que ano após ano nossos agricultores tem a dificuldade de armazenar os seus grãos por falta de incentivo do governo para facilitar a compra de silos de estocagem de grãos. E sempre aparece reportagem de desperdício por falta de uma armazenagem mais adqueda.

Em meio ao desaquecimento da demanda global, a China ganha ainda mais espaço nas exportações brasileiras, enquanto outros mercados perdem participação. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 35,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, representando 40,4% das exportações, contra 28,6% em maio de 2019. No acumulado do ano, a alta registrada foi de 15,4%.

Abaixo vemos uma lista dos principais produtos que exportamos para a China e o valor que arrecadamos com a exportação.

Dentre nossos produtos, o carro chefe continua sendo a Soja, e logo atrás temos as agroindústrias com outras cultivares e as proteínas de origem animal.

Essas desavenças entre os dois países estão longe de terminar e em caso de reeleição de Donald Trump, podemos assistir eventos relacionados a uma nova Guerra Fria entre os dois países e dependendo da intensidade acredito que os EUA possa partir para as vias de fato e iniciar uma guerra física contra os chineses.

Isso por que a China ficou do lado Irã juntamente com a Rússia, quando os EUA abateu o General Iraniano Soleimani, outro ponto que reforça essa tese é a China hoje possuir a maior reserva de dólar internacional e em caso de uma Guerra Fria a China poderia liberar essa reserva enfraquecendo a economia Americana e justificando o levante de armas.

Segue Abaixo o ranking de detentores de dólar:

 

E diante de todo esse cenário que nos apresenta é importante nossos governantes segurarem os ânimos, aguardar os próximos movimentos de ambos países, não tomar partido na briga e acima de tudo trabalhar dobrado para aumentar o fornecimento de alimentos no mundo.

Peço desculpe pelo texto extenso, porém achei necessária essa explanação para que possamos entender quais serão os próximos movimentos do mercado, todos nós que necessitamos de grãos para produzirmos a nossa ração podemos ser afetados pela guerra de preços que o mercado irá nos impor.

Um forte abraço e até a próxima!

Eng.Rafael R.S

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