A Piscicultura em Expansão no Estado de Mato Grosso

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No início de janeiro foi sancionada a lei 10.669, que entre outras alterações na legislação atual, autorizou a produção de peixes exóticos em sistemas de tanque rede, antes autorizado apenas em viveiros escavados. Essa simples alteração vai proporcionar, em pouco tempo, que o Estado possa se consolidar definitivamente como campeão de produção em mais um setor do agronegócio: a produção de peixes. Hoje, considerado o quarto maior produtor do Brasil, segundo dados do IBGE, com 95% da sua produção concentrada em peixes nativos, entre eles o Tambaqui, o Pintado e a Tabatinga (híbrido resultado da cruza do Tambaqui com a Pirapitinga). Agora poderá contar com mais uma espécie para produção em larga escala, com pacote tecnológico para cultivo e mercado consumidor em plena expansão: a Tilápia. Essa espécie exótica é produzida há mais de 50 anos no Brasil com altos índices de produtividade e qualidade de carne excepcional.

A Tilápia tem um diferencial, pois é um peixe domesticado que se adapta perfeitamente ao sistema de produção em tanque rede, estrutura semelhante a uma gaiola que fica submersa em água. Esse sistema já é utilizado na Noruega e no Chile há muitos anos, para a produção de salmão e já existe no Brasil em vários reservatórios nas regiões Sudeste e Nordeste e agora se expandindo para o Centro Oeste brasileiro.

O lado positivo desse sistema produtivo para o Estado de Mato Grosso é a redução da pressão sobre o consumo de peixes do rio e a utilização do segundo maior potencial hidrelétrico do Brasil com 121 usinas hidrelétricas e/ou PCHs já em funcionamento, evitando o desmatamento ou escavação de viveiros, reduzindo assim os custos para implantação com praticamente zero impacto ambiental. A possibilidade de utilização desses reservatórios para produção de peixes dá ao empresário do agronegócio mato-grossense mais uma alternativa de geração de renda.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), a piscicultura em tanque rede é o sistema de produção de proteína de origem animal mais eficaz e menos poluente entre todos os outros já analisados, visto que com apenas 1,5kg de ração se produz 1,0 kg de carne, enquanto que para a produção de carne bovina essa relação pode chegar a 8,0kg de ração para o mesmo 1,0 kg de carne.

A piscicultura também dá oportunidade para que pequenos e médios produtores possam ingressar na atividade, haja vista que o investimento inicial é menor se comparado com os outros sistemas de produção de carne animal. É preciso salientar, no entanto, que assim como qualquer outra atividade do agronegócio, a piscicultura exige acompanhamento técnico especializado para implantação e principalmente no decorrer do processo produtivo. A AQUAMAT Associação dos Aquicultores do Estado de Mato Grosso, com sede em Cuiabá, pode orientar os interessados em ingressar nessa atividade.

Com relação ao mercado, segundo dados da FAO/ONU, o consumo de peixe do brasileiro é inferior a 10kg/hab/ano, mesmo patamar mundial da década de 60. De 2014 para cá, a média mundial variou entre 20kg/per capita/ano. O Brasil produziu 640.000 toneladas e importou outras 450 mil toneladas em 2016, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) para atender o mercado interno, considerando o consumo atual de peixes no País.

Temos uma grande oportunidade para geração de riqueza em nosso Estado com o aumento do consumo, haja vista que a procura por alimentos mais saudáveis é crescente e a carne de pescado trás inúmeros benefícios a saúde. Segundo o Ministério da Saúde (MS), as doenças do coração são as que mais matam em nosso país e a carne de peixe com baixo teor de gordura aliado a prática de exercícios físicos contribui com a diminuição do peso, atua no declínio da hipertensão e melhora a vida dos diabéticos, e, com isso, protege o coração.

O Mato Grosso mais uma vez mostra o seu potencial de grande produtor de alimentos com atributos para aumentar a sua produção com competitividade, pois a ração participa com 70% do custo de produção e a principal matéria prima para fabrica-la, temos em abundância: farelo de soja, arroz, caroço de algodão e DDG de milho. Sabendo que o Estado de Mato Grosso é o maior produtor de grãos do Brasil e com as mais de dez fábricas de ração já instaladas, poderíamos aumentar o consumo desses produtos dentro do Estado, gerar emprego e renda e vender o peixe para todo o Brasil e exterior injetando mais recursos na economia local.

Fonte: Cenario MT

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