De olho na bancada ruralista, Alexandre Frota investe na pecuária leiteira

Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

Deputado eleito arrendou parte de uma fazenda em MS e estuda o uso do soro do leite na produção de suplementos como Whey Protein

A formação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para o ano legislativo de 2019 já está começando a se desenhar com a entrada de novos membros ainda no final desse ano. Um deles é o ex-ator pornô e personalidade da mídia Alexandre Frota, que foi eleito deputado federal pelo PSL de São Paulo.

Frota já esteve pelo menos três vezes nas tradicionais reuniões da sede da FPA, no Lago Sul (DF) e já assinou o termo para sua participação da bancada.

“Estou muito feliz com o caminho inicial em Brasília, principalmente com o fato de ter entrado pra Frente parlamentar do Agro. Sou agradecido a Tereza Cristina (futura ministra da agricultura e presidente da bancada ruralista) por isso”, disse o deputado eleito, em conversa com a produção do Canal Rural. Frota se revelou ainda contente e disse que pretende muito colaborar com o setor.

Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

O futuro chefe de gabinete de Frota, Cléber Teixeira, tem uma ligação especial com o campo. Criado em fazenda com os avós e os pais, hoje também é produtor rural e proprietário da Fazenda Santa Bárbara, em Rochedo (MS), localizada a 40 quilômetros de Campo Grande, com produção de pecuária leiteiramilho e sorgo.

Dos 135 hectares da propriedade, 20 foram arrendados a Frota para o estudo – ainda embrionário – do aproveitamento do soro do leite para a produção de suplementação alimentar e física como Whey Protein.

Pecuarista novato e parlamentar

De acordo com Teixeira, as pequenas propriedades e laticínios enfrentam hoje o problema do descarte do soro do leite, que, dependendo do modo como é feito, pode contaminar o solo. Nesse sentido, o projeto tem a intenção de elaborar um método de aproveitamento desse líquido para a produção de suplemento.

Alexandre Frota e Tereza Cristina na FPA. Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

“Vamos começar o desenvolvimento de uma pesquisa que possa favorecer a utilização desse soro como proteína de suplementação que pode valer de cinco a seis vezes o valor do próprio leite no mercado, e hoje o Brasil importa esse produto”, explica Teixeira.

A ideia é fazer parcerias com empresas de suplementação que tenham interesse em ajudar o pequeno produtor ou até mesmo criar laticínios específicos com cooperativas. “Assim, vamos conseguir evitar um problema ambiental e ao mesmo tempo implementar uma nova renda ao pecuarista”, reitera o chefe de gabinete de Frota.

Cerca de onze vacas já estão nessa parte da propriedade e atualmente produzem 250 litros ao dia, com sistema de pasto rotacionado e acréscimo de ração seca e silagem, mas a expectativa é que ano que vem produzam 1.500 litros por dia.

 

Vacas da raça Girolando na fazenda de Frota. Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

Por ora, Frota e Teixeira estão plantando milho e sorgo com o intuito de preparar a silagem do gado para o ano que vem. Um laboratório também está sendo equipado.

Essa primeira parte do projeto conta com o apoio da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri). No início do mês, inclusive, Frota esteve com o presidente da entidade, Marcelo Bellas, numa agenda na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar sobre suplementação alimentar.

Laboratório que está sendo montado na fazenda arrendada por Frota. Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

Após a montagem por completo do projeto na parte arrendada por Frota na Fazenda Santa Bárbara, a segunda fase a ser desenvolvida é chamar as universidades e a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (80% do gado da propriedade são dessa raça) para criar uma rede de apoio para pesquisa e, em seguida, aplicação da técnica.

“O Frota, mais do que ninguém, está mostrando uma solução para o pequeno agricultor”, diz Teixeira. Segundo o chefe de gabinete do deputado eleito, propor novos meios de incremento de renda para a agricultura familiar é uma das pautas de Frota no ano que vem na Câmara.

“Estou chegando, estou entendendo, me entendendo lá também e quero que o agro conte muito comigo”, contou Frota.

Soro do leite

Novas maneiras de reaproveitamento do soro de leite têm sido uma demanda em processo de pesquisa e trabalho tanto da indústria quanto dos produtores do setor. “Este é um momento de usar a inovação e oportunidades no mercado”, avalia Alexandre Guerra, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS).

De acordo com Guerra, o soro do leite já é usado para a produção de ricota e bebidas lácteas por grandes empresas. Para os pequenos produtores ou laticínios, em alguns casos, se não é descartado acaba virando alimento para suínos.

O desafio, entretanto, segue justamente nesse sentido, de conseguir dar estrutura e tecnologia para elaboração desse soro.

Fonte: Blog Canal Rural

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