Após cancelamento do ‘Peixe Santo’, diretor da Aquamat defende legislação mais rígida

Darci (detalhe da foto) é diretor da Aquamat e doutor em psiculturaDarci (detalhe da foto) é diretor da Aquamat e doutor em piscicultura

Cerca de 80 produtores de pescado foram pegos ‘de surpresa’ na última semana quando, após 27 anos, a Prefeitura de Cuiabá cancelou a edição de 2019 do ‘Peixe Santo’, segundo ela, por um pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Apesar da frustração de algumas pessoas, para o diretor técnico da Associação de Aquicultura de Mato Grosso (AQUAMAT), Darci Fornari, a restrição, no final das contas, é uma “evolução”.

Darci é zootecnista, doutor em piscicultura, produtor de peixes nativos e coordenador do programa de melhoramento do peixe nativo e produtor de alevinos de peixes nativos e híbridos em Cuiabá. Segundo ele, uma maior rigidez na inspeção do pescado mato-grossense era um desejo do setor já há algum tempo.

“O Brasil tem uma lei federal de 2014, de que toda proteína animal que é comercializada para o consumidor final, obrigatoriamente tem que ter uma inspeção sanitária. E nós em Mato Grosso estávamos trabalhando de uma forma não correta. O pescador poderia vender para quem ele quisesse através de uma autorização que ele emitia no Indea. Então esse pescado não passava pela vigilância sanitária”, explica.

O modus operandi, então, mudou. E isso resultou na decisão do MPE em relação ao Peixe Santo. Por meio de nota, a entidade afirmou que não determinou a suspensão e, sim, que “exigiu ao Executivo que fossem observadas todas as normas sanitárias sobre a procedência, a qualidade, o transporte a armazenamento do pescado comercializado à população”.

Ainda segundo Darci, Mato Grosso produz, por meio da piscicultura, 60 mil toneladas de peixe, sendo que consome 30 mil toneladas, e exporta as outras 30 mil. “O fato é que a piscicultura já é uma atividade estruturada no sentido de oferecer pescado para a sociedade”, afirma.

O grande problema, no entanto, fica com o pequeno produtor. “Está sendo difícil pros pequenos produtores, para o peixe santo, mas é um preço que a cadeia precisa pagar para se concertar. Se você não é rígido o negócio não funciona, não evolui”, afirma o professor.

“Agora, existe frigoríficos ociosos em Mato Grosso, pra se ter uma ideia. A gente comercializa pescado para outros frigoríficos de outros estados, mas os frigoríficos instalados aqui no Estado estão ociosos, falta peixe para os frigoríficos. Então não é a cadeia que está desestruturada, a cadeia está estruturada, o que falta, como quase tudo no Brasil, é uma organização dos produtores, das associações envolvidas”.

Para Darci, a solução para estes pequenos seria que se organizassem em cooperativas. “Na verdade o que complica é o pequeno produtor, que não está conseguindo a venda com o frigorifico por conta de preço e logística. Porque o frigorifico não vai com um caminhão lá pra carregar duas toneladas. Ele quer carregar 10, 15 toneladas pra compensar a logística. E o preço pago no frigorifico é um pouco mais baixo do que o produtor consegue vender ‘picadinho’ na cidade. Mas existe solução”.

Em 2018, o Peixe Santo aconteceu entre 28 e 30 de março, durante a Semana Santa. Foram 30 postos de venda em que peixes de couro (Pintado) eram comercializados a R$ 19 enquanto o Pacu e a Tabatinga, a R$ 12,50 kg com espinhas. O peixe limpo custava R$ 14 kg.

Deixe uma resposta