Aumento nos custos de produção pressiona o preço do leite

Falta de chuvas e dólar alto encarecem ração e elevam custos na produção de leite

Produção de leite de Pernambuco diminuiu após seis anos de seca / Foto: Heudes Regis/JC Imagem

Produção de leite de Pernambuco diminuiu após seis anos de seca
Foto: Heudes Regis/JC Imagem

No supermercado, o preço do leite subiu 46% nos sete primeiros meses do ano, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), fazendo o consumidor substituir o produto. Se o cliente reclama, do lado do produtor também não há muito o que comemorar. Em Pernambuco, depois de seis anos de seca, que derrubou a produção da bacia leiteira pela metade, a região vive o “Verão do Agreste” e enfrenta aumento de custos provocado pela falta de pastagem e pela escalada do dólar.

“Na época do ano entre junho e dezembro, o período seco faz diminuir a quantidade de pasto e exige que o produtor compre mais ração balanceada para alimentar o rebanho. Se no inverno a proporção é de 70% de pastagem para 30% de ração, nesse período seco isso se inverte. Com a alta do dólar, as commodities ficam todas mais caras porque são cotadas na bolsa de Chicago. O saco de 50 kg do farelo de soja, que custava R$ 60 no início do ano, agora está sendo vendido por algo entre R$ 85 e R$ 90”, compara o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados de Pernambuco (Sindileite-PE), Alex de Oliveira da Costa.

O período seco também faz com que as indústrias precisem percorrer mais quilômetros em busca do leite e isso também faz o preço ficar mais alto, em função do frete. “Hoje compramos o litro ao produtor por um valor que varia de R$ 1,35 a R$ 1,45. Se precisamos rodar muito, pagamos menos pelo litro”, explica, dizendo que o raio máximo para garantir viabilidade econômica é buscar o leite a, no máximo, 100 quilômetros da indústria. Nos supermercados, o produto chega a ser comercializado com valor entre R$ 2,80 e R$ 3,20.

PRODUTORES

O presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Pernambuco (Sinproleite), Saulo Malta, defende que essa alta de custos poderia ser minimizada com o aumento da oferta de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com preço subsidiado. “Conseguimos comprar o saco de 60 quilos por R$ 33, enquanto o preço no mercado é de R$ 54, mas o volume é tão pequeno que quando chega acaba em quatro dias”, conta. Hoje Pernambuco produz uma média de 1,6 milhão de litros por dia, mas antes da seca esse volume foi quase o dobro

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