Bolsonaro cita tratamento de queimadura com pele de tilápia.

A pesquisa sobre o uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras foi no fim de 2018 escolhidas para ser apresentada na World Innovation Summit for Health, realizada em Doha, no Catar.

Pele de tilápia tem sido estudada contra queimaduras. Foto: Reprodução.
Durante a madrugada desta terça-feira (26) o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para trazer à tona uma pesquisa que vem sendo desenvolvida no Brasil há alguns anos, que já foi tema de reportagem pelo Viver Bem em 2017.

O projeto, coordenado pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Medicamentos, da Universidade Federal do Ceará (UFC), promete amenizar a dor e acelerar em quase dois dias a cicatrização de queimaduras graves usando um produto inusitado: a pele de tilápia, um peixe cada vez mais produzido no país. Veja o post:

Jair Messias Bolsonaro

on Tuesday

‪- Mais de um milhão de pessoas sofrem queimaduras por ano no Brasil e somente andanças revelam conhecimento e possíveis ajudas no tratamento de lesões. A pele da tilápia tem se revelado excelente neste tratamento. 
– O Secretário da Pesca Jorge Seif Jr. tem recebido relatos e proporá estudos, e comprovada a eficiência científica, levará à análise do Ministério da Saúde para a adoção como terapia de cura alternativa e possivelmente mais barata que as existentes.‬

À época, o Viver Bem conversou com o cirurgião plástico Edmar Maciel, coordenador da pesquisa e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado e, para ele, os resultados tinham sido positivos. “Além de ajudar muitos pacientes, a pesquisa ganhou 2 prêmios e está sendo veiculada em 16 países, o que mostra o interesse sobre o tema”, disse em 2017.‪

Pele de tilápia no SUS?

Assim que a última fase clínica terminar, o projeto poderá ser registrado na Anvisa e, depois, comercializado por alguma empresa. Para Maciel, porém, o ideal seria que o Ministério da Saúde investisse na causa.

De acordo com o especialista, estima-se que um milhão de casos de queimaduras ocorram por ano no Brasil. “Dentro desse número, 97% das vítimas são pessoas de baixa renda, que precisam de atendimento público. Se o governo quiser investir, todos os centros de queimados do país poderão ter acesso ao tratamento”, conta.

Por enquanto, não houve contato entre os pesquisadores e o Ministério da Saúde, segundo o pesquisador.

Por que a pele de tilápia é melhor do que a humana para curar queimaduras
Maciel explica que embora países europeus já utilizem pele de porco há algum tempo, o Brasil ainda não havia investido na técnica.

“Infelizmente, ninguém nunca desenvolveu uma pesquisa antes. Além de o custo de importação de pele ser altíssimo, é preciso criar um banco de pele e investir em pesquisas. Esta é a primeira vez que o país usa pele animal no tratamento de queimaduras”, diz.
De acordo com o especialista, os bancos de queimados no Brasil atendem apenas 1% da demanda e usam pele humana no tratamento, mas não o suficiente. Atualmente, os bancos recebem material a partir de pacientes com morte encefálica e somente após a autorização da família. Depois, a pele doada passa por um processo de esterilização e sorologia. “É um procedimento trabalhoso e caro que não supre a necessidade.”

Além de os animais aquáticos apresentarem menor chance de contaminação, Maciel acredita que o Brasil tem uma grande chance de evoluir na agilidade e eficiência dos atendimentos. O otimismo se deve à grande quantidade de pisciculturas no país – a tilápia, junto com o tambaqui, representam 62% da produção nacional de peixes, segundo dados do IBGE – e pelo descarte de mais de 90% da pele dessa espécie.

Preparo

A pele de tilápia é trazida de uma piscicultura a 250 quilômetros de Fortaleza, depois passa por um processo de limpeza e recorte. A partir daí, começam várias etapas de esterilização com produtos como a clorexidina e glicerol para retirar possíveis agentes contaminadores e qualquer odor.

Após algumas etapas, a pele é armazenada em dupla selagem e então levada ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo. Lá, é feita uma radio esterilização complementar e depois retorna ao Ceará. Depois de todo o processo, a pele de tilápia é mantida em refrigeração a 3°C e pode ser utilizada em até dois anos.

Em novembro do ano passado, a pesquisa sobre o uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras  foi uma das escolhidas para ser apresentada na edição de 2018 do World Innovation Summit for Health (WISH), realizada de 11 a 13 de novembro, em Doha, no Catar.

Publicado no dia 02 de março de 2017 no Facebook, o vídeo produzido pela Stat, uma agência de conteúdo relacionado à saúde, conta com mais de 30 milhões de visualizações. Confira:

Fonte: Gazeta do Povo

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