Brasil perde liderança também no mercado japonês

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Pelos números do USDA (gráfico abaixo) isso ocorreu em 2017, ano em que – mesmo por margem mínima – o volume de carne de frango destinado pela Tailândia ao Japão superou o exportado pela indústria avícola brasileira.

Além de já não ser o principal fornecedor externo de carne de frango para a União Europeia (vide “Carne de frango: Brasil perde liderança na UE”), o Brasil também já foi posto para trás no Japão, um de seus mais importantes mercados do produto. E quem aponta isso é o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Pelos números do USDA (gráfico abaixo) isso ocorreu em 2017, ano em que – mesmo por margem mínima – o volume de carne de frango destinado pela Tailândia ao Japão superou o exportado pela indústria avícola brasileira. Assim, se o Brasil exportou para o mercado japonês 445,5 mil toneladas de carne de frango (volume indicado pela SECEX/MDIC), o total exportado pela avicultura tailandesa foi ligeiramente superior.

Uma década atrás a situação era bem diferente. Enfrentando, ainda, embargo decorrente do surto de Influenza Aviária iniciado nos primeiros anos da década, em 2008 a Tailândia exportou para o Japão algo em torno das 180 mil toneladas de carne de frango. Mas apenas de produto processado.

Nesse mesmo ano o Japão recebeu do Brasil volume cerca de 120% maior: ao redor de 400 mil toneladas do produto – ou pouco mais de 420 mil toneladas, segundo números da extinta ABEF. Então, o Japão colocou-se como o principal importador do Brasil, seguido por Hong Kong (à época não havia acesso ao mercado chinês) e com a Arábia Saudita na terceira posição.

Nesses 10 anos, o volume exportado pelo Brasil para o Japão manteve-se relativamente estável, pois, salvo sensível retrocesso em 2009, as importações japonesas permanecem na faixa das 400 mil toneladas. Já as tailandesas registram aumento de quase 150%.

Essa expansão é reflexo da suspensão, em 2014, do embargo que o Japão mantinha à carne de frango in natura da Tailândia. Com isso, a partir de 2015 o incremento foi, pode-se dizer, exponencial.

Em 2017, conforme o USDA, o Japão importou 1,056 milhão de toneladas de carne de frango. Brasil e Tailândia responderam, portanto, por mais de 80% dessa importação, 54% do volume total sendo representados por produtos in natura e 46% por carne processada.

Quase passa despercebido, aqui, o próprio crescimento das importações japonesas. Pois como o país registra crescimento vegetativo negativo, a imagem que se tem do consumo é que ele também decresce – e com ele as importações. Puro engano.

Um simples olhar ao gráfico abaixo indica que em 2008 as importações japonesas de carne de frango giraram em torno das 750-800 mil toneladas. Como superaram 1 milhão de toneladas em 2017, cresceram entre 30% e 40% em uma década.

E essa expansão continua. Pois, citando fontes japonesas, o USDA observa que, sendo a oferta interna insuficiente, as indústrias processadoras têm recorrido cada vez mais ao mercado externo. Tanto que, entre 2013 e 2017, a utilização de carne de frango importada dobrou, o mix passando de 7,6% para 14,5%.

As tendências são de continuidade desse incremento e a projeção atual é a de importações de 1,080 e 1,110 milhão de toneladas para 2018 e 2019, respectivamente, o que representa aumentos de 2,3% e 5,11% em relação ao 1,056 milhão de toneladas importado em 2017.

Fonte: Midia News

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