BRF tem resultado abaixo do esperado e fecha 2018 com prejuízo pelo terceiro ano seguido

A empresa teve prejuízo líquido de 2,1 bilhões de reais de outubro a dezembro, 12,5 vezes maior do que a estimativa média de analistas.

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, teve prejuízo líquido pelo segundo trimestre seguido nos últimos três meses de 2018, sob impacto de embargo comercial, investigações e recuperação lenta da economia do país, que ofuscaram os esforços de reestruturação da companhia.

A empresa teve prejuízo líquido de 2,1 bilhões de reais de outubro a dezembro, 12,5 vezes maior do que a estimativa média de analistas. No ano passado, a BRF teve prejuízo líquido de 4,46 bilhões de reais, terceiro ano consecutivo de resultado negativo anual.

O resultado teve influência de uma perda contábil elevada, relativa a vendas de ativos na Argentina, na Europa e na Tailândia, feitas por valores menores do que os registrados na contabilidade da empresa.

Executivos da BRF afirmaram que uma perda contábil adicional de 800 milhões de reais ligada a variações cambiais, será computada nos dois próximos trimestres, quando a empresa espera concluir as vendas de ativos após aprovações de autoridades.

A BRF levantou 4,1 bilhões de reais com vendas de ativos em 2018, apoiando estratégia de prolongar vencimentos e reduzir custo de dívida.

O presidente-executivo da companhia, Pedro Parente, afirmou que as vendas de ativos marcaram o início de um ciclo positivo após um dos anos mais desafiadores para a BRF em uma década.

“O ciclo de ajustes para lidarmos com fatores adversos está terminado”, disse Parente. “Agora precisamos de disciplina para executar nosso plano estratégico.”

A ação da BRF caía 4,9 por cento às 14h06 (horário de Brasília), entre as principais quedas do Ibovespa, que cedia 1,65 por cento.

Antonio Barreto, analista do Itaú BBA, afirmou em nota que os resultados da BRF “são negativos à primeira vista”.

Segundo ele, o Ebitda, um indicado de lucro operacional, ficou praticamente em linha com as estimativas, mas a questão é como melhorá-lo diante de tantos desafios. Entre eles está o embargo europeu a 12 fábricas brasileiras da companhia após a BRF ter se envolvido em denúncias de fraude em inspeções sanitárias apuradas pela Polícia Federal.

O embargo gerou excesso de oferta de carne de frango e suína no Brasil, num momento de preços maiores de grãos, o que fez as margens de lucro da BRF ficarem sob forte pressão, disse a BRF.

A empresa afirmou que espera que o preço de grãos fique estável em 2019 após subir 30 por cento em 2018. Diante da situação da economia do Brasil e excesso de oferta, a companhia não foi capaz de repassar aumentos de custos para os clientes.

Fonte:  Avicultura Industrial

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