Calu terá quer dobrar captação de leite

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Presidente fala sobre futuro da cooperativa após negociação com a Polenghi

Foto: Vinicius Lemos

A história de 56 anos, completados em maio deste ano, da    Cooperativa Agropecuária Ltda de Uberlândia, ou    simplesmente Calu, começou com 40 produtores de leite do município. Quando fundada em 1962, o objetivo era profissionalizar a entrega, a comercialização e o recebimento de leite local, que já envolvia uma série de pequenas empresas sem um negócio organizado. Cooperados logo começaram a produção de queijos, leite pasteurizado e manteiga. Hoje, além de Uberlândia, a Calu está em Tupaciguara, Monte Alegre de Minas, Ituiutaba e Gurinhatã.

Entretanto, por mais tradicional que a empresa tenha se tornado pela região, só agora parece conseguir dar os primeiros passos para fora de uma crise se instalou em 2015. Demissões, queda de faturamento e fechamento de parte dos negócios da cooperativa foram reflexos do momento difícil. O recente anúncio da venda da planta de uma de suas fábricas para a Polenghi, empresa do grupo francês Savencia, ao mesmo tempo em que foi firmado contrato de parceria com a gigante do setor, é tratado pela presidência da Calu como uma nova página para a empresa mineira.

O presidente da cooperativa, Cenyldes Moura, recebeu o Diário para falar dar detalhes da negociação e falou sobre possíveis novos negócios e de como a crise afetou a Calu nos últimos três anos. O principal desafio será aumentar a captação de leite para atender a Polenghi, que na América Latina ela tem operações no Brasil, onde produz principalmente queijos finos, na Argentina e no Uruguai.

Diário – A negociação com a Polenghi é a maior na história da Calu?
Sem dúvida nenhuma. Nós iniciamos a construção da fábrica em 2013, era um grande projeto e um sonho para a Calu, mas em 2015, infelizmente, numa crise muito forte no País, nós não tivemos condições de continuar a obra devido à dificuldade de crédito. Tivemos que interromper. Então a opção foi buscar um parceiro, ou que entrasse em sociedade com a Calu ou que adquirisse aquele patrimônio. Em setembro de 2017, fui procurado por um diretor da empresa Polenghi, que manifestou o interesse em ampliar sua atuação e essa fábrica da Calu ficou no alvo deles. Hoje ela (a fábrica) está com 90% das obras concluídas, inclusive com equipamentos instalados. (O negócio firmado) Significa muito até mesmo para a cidade de Uberlândia, que se projeta como um grande polo de industrialização de leite do País, junto a outras grandes fábricas que já temos aqui. Foi uma negociação de diretoria para diretoria, sem intermediários. Calu já tinha deixado claro que procurava parceiros para a nova indústria.

Se não houvesse essa negociação, como ficaria a situação da cooperativa?
A partir da paralisação das obras, a cooperativa ficou em dificuldade, como várias empresas passaram, mas conseguimos equacionar os problemas e manter a cooperativa em funcionamento, captando e processando o leite. Ficamos em dia com os fornecedores e colaboradores até que pudéssemos encontrar a solução para aquele ativo, a planta da nova fábrica.

Quais foram termos da negociação?
Importante frisar que a Calu continua com suas atividades normais. A captação de leite, processamento na atuação fábrica e vendendo os produtos tradicionais. Paralelo a isso temos um contrato de fornecimento de leite, no qual seremos o principal fornecedor da nova indústria da Polenghi.

E quanto a valores?
Por contrato apenas a Polenghi pode tratar desse assunto e divulgar informações a respeito.

Quanto será fornecido à Polenghi em volume de leite?
Aproximadamente 70 mil litros por dia, com projeção de crescimento ao longo dos anos. Além disso, existe outro contrato de produção de alguns produtos da marca Calu na fábrica nova de forma terceirizada. Com tudo isso, a Calu agora terá mais tranquilidade financeira e mantendo suas atividades normais.

Vocês captam quanto hoje?
Cerca de 70 mil litros de leite por dia. Sendo assim, vamos ter que dobrar a captação em curto espaço de tempo, por que temos que enviar o leite para a Polenghi e manter a nossa produção. A projeção é que as obras de finalização da nova planta sejam concluídas em torno de seis meses. Desenvolvemos planos para envolver produtores de leite da região para aumentarmos a captação. Vamos iniciar contatos e desenvolver benefícios aos cooperados. Hoje temos 500 produtores cooperados entregando leite.

É difícil chegar a essa meta em seis meses (dobrar a captação)?
É desafiante. Mas entendemos que o leite existe na região, estamos em uma das maiores bacias produtoras de leite do País, mas além dos produtores, temos a expectativa de firmamos parcerias com outras cooperativas da região que não industrializam, como em Campina Verde, Frutal, Coromandel, Patrocínio, Iraí de Minas. Na realidade hoje captamos 70 mil litros e compramos 35 mil litros de leite por dia. Assim, já processo 105 mil litros diariamente.

Qual foi o cenário que a Calu vivenciou nos últimos anos?
No foco da crise encerramos dois negócios, lojas e produção de ração, porque dependiam de muito capital de giro, que não tínhamos, e com isso ainda dispensamos aproximadamente 200 funcionários para tentarmos diminuir custos fixos. As dispensas representavam dois terços dos nossos 320 funcionários à época. Nosso faturamento caiu cerca de 50% entre 2015 e 2016. Hoje continuamos com cerca de 105 funcionários. Assim, focamos no processamento e venda de lácteos. Isso possibilitou encontrarmos o equilíbrio financeiro da cooperativa.

É o negócio que faltava para alavancar a Calu depois do período difícil?
Sem dúvida. É um reforço de caixa importante, pois saímos de uma dificuldade e equacionamos boa parte de nosso passivo e nos dá fôlego para irmos a campo e captarmos leite e pensarmos em outros negócios adjacentes, como voltarmos à produção de ração ou vendermos insumos aos produtores.

E sobre os novos negócios, há previsão para contratações?
Ainda estamos analisando como vai se comportar a parceria após o início do funcionamento da fábrica da Polenghi, para projetarmos os nossos negócios. Mas negócios como a produção de ração e outros voltados ao produtor estão sendo pensados a curto prazo. Mas é cedo para falar de contratação e valores.

O que pode ser dito sobre as novas possibilidades?
Vira-se uma página na história da cooperativa. Temos que pensar outros negócios como uma linha de produtos com alto valor agregado, modernizar linha de produção, buscar novas práticas e modernizar até a própria gestão.

Fonte: Diário de Uberlândia

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