Carne criada em laboratório enfrenta regulação nos EUA

As startups de carnes criadas em laboratórios que utilizam células animais para produzir produtos de carne bovina, de aves e de frutos do mar chamaram a atenção da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), que iniciou o processo de regulação do setor.

A carne artificial, considerada uma alternativa ecologicamente saudável à carne real, é feita por meio da coleta de células de animais e do cultivo delas para a produção de alimentos. Empresas como Memphis Meats e Future Meat Technologies despertaram o interesse de investidores como as gigantes da alimentação Tyson Foods e Cargill, além dos bilionários Bill Gates e Richard Branson.

A FDA planeja realizar uma reunião em 12 de julho para obter informações do setor a respeito da segurança da tecnologia, além de considerações a respeito de como seria possível rotular os produtos para que os consumidores saibam que estão comprando carne de laboratório — e não de vaca. Debate-se também quem deveria regular a carne criada em laboratório nos EUA, a FDA ou o Departamento de Agricultura do país.

Na reunião de julho, a FDA planeja “compartilhar nosso pensamento inicial a respeito de como pretendemos aplicar, de forma apropriada, nossas ferramentas e políticas regulatórias atuais a esta nova área da tecnologia”, disseram o comissário da FDA, Scott Gottlieb, e a vice-comissária, Anna Abram, em comunicado, nesta sexta-feira.

O banco agrícola CoBank classificou os produtos de proteínas alternativas como uma das tendências alimentares mais interessantes a serem observadas neste ano, apesar de Trevor Amen, economista do banco, ter previsto em novembro que a carne artificial demoraria mais três a cinco anos para chegar aos restaurantes e mais cinco a oito anos para aparecer nas prateleiras dos supermercados.

A empresa Just, do empreendedor Joshua Tetrick, anteriormente conhecida como Hampton Creek, anunciou que planeja colocar o que chama de “carne limpa” no mercado até o fim do ano. Em 2015, a FDA decidiu que a Hampton Creek não poderia chamar seu molho vegano de maionese porque o produto não continha ovos. Posteriormente, o órgão permitiu que a empresa chamasse o produto de Just Mayo desde que colocasse em maior destaque o aviso “não contém ovos” e fizesse outras modificações no rótulo.

A Associação de Criadores de Gado dos EUA apresentou petição ao USDA no início do ano para que apenas a carne de animais criados e abatidos da forma tradicional pudesse ser rotulada como carne. Isso significaria que empresas como Impossible Foods e Beyond Meat, que fabricam produtos de base vegetal – e também as opções feitas a partir de células animais — teriam que encontrar outro nome para sua proteína. Agora, parece que a FDA emitirá essa determinação.

A agência aprovou o primeiro animal geneticamente modificado em 2015 ao permitir que a AquaBounty Technologies comercializasse um salmão apelidado de “Frankenpeixe” pelos críticos. O salmão é geneticamente modificado para possibilitar que cresça mais rapidamente, mas o Congresso obrigou a FDA a proibir as importações do peixe, criado no Canadá e no Panamá, enquanto não publicar as regras finais de rotulagem, o que ainda não foi feito.

Fonte: Beef Point

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