Carne de frango deve crescer 29% nos próximos 10 anos

Brasil está bem posicionado no mercado internacional e deve manter o ritmo de crescimento das exportações

De acordo com o relatório Outlook 2029 da Fiesp, a produção de carne de frango brasileira deve manter o rítimo de crescimento. As condições melhoraram para a avicultura brasileira em 2019, após o setor ter enfrentado grandes desafios no ano anterior, em razão da alta nos custos de produção e da greve dos caminhoneiros. Apesar de os custos da ração terem se mantido em um patamar historicamente elevado, os preços da carne de frango evoluíram ainda mais, de modo que as margens das granjas voltaram ao campo positivo.

Por outro lado, a alta dos preços ao consumidor dificultou a expansão da demanda doméstica em 2019, o que, somado ao baixo crescimento econômico no País, resultou em maior cautela da indústria com o ritmo da produção. Esse cenário foi gradativamente atenuado, ao menos em parte, na medida em que a demanda externa pelo produto brasileiro melhorou, sobretudo por causa da China, com o avanço da Peste Suína Africana prejudicando a oferta de carnes no país asiático. No início de 2019, o nosso Ministério da Agricultura anunciou a conclusão de um acordo com o Ministério do Comércio da China, que suspendeu a aplicação de tarifas anti-dumping sobre a importação de frango do Brasil, o que, somado às novas habilitações de frigoríficos brasileiros, fortaleceu as vendas do produto nacional aos chineses.

O governo chinês comunicou também a suspenção do embargo à carne de frango dos EUA, em vigor desde 2015, devido aos casos de gripe aviária registrados naquele país. A derrubada do embargo acrescenta um novo competidor que não estava no radar nos últimos anos, porém, o impacto nas exportações brasileiras de frango tende a ser limitado, uma vez que, tradicionalmente, os americanos são exportadores de cortes de carne escura de frango, enquanto o Brasil é um grande exportador de peito de frango (“carne branca”). A instabilidade na relação política entre os EUA e a China é outro ponto que joga a nosso favor, pois, no futuro, eventualmente, a carne americana poderá novamente estar sujeita a sobretaxas impostas pelo governo chinês.

Apesar do destaque da China, que passou a ser o principal destino em 2019, as exportações brasileiras também melhoraram para outros países relevantes, que haviam apresentado performance fraca no ano anterior, caso de Arábia Saudita, Japão e Egito. Porém, para a União Europeia as vendas foram ainda menores em 2019.

Do ponto de vista sanitário, chamou atenção a reincidência da gripe aviária no México, o que é sempre um risco para os EUA. Além disso, desde o início de 2020, a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) já notificou diversos casos de gripe aviária na Europa e na própria China. A doença foi identificada em animais selvagens e domésticos, sendo estes últimos abatidos preventivamente.

A época é de migração de pássaros selvagens, portanto, é comum que haja um aumento no número de casos da doença. Nessa linha, o que chama atenção é que alguns países não registravam a ocorrência há vários anos, como, por exemplo, a Ucrânia e outros importantes produtores e exportadores, como a Polônia e a Hungria, que tiveram suspensas as importações por outros países, em consequência do aparecimento da doença.

A grande redução na produção chinesa de carne suína, que tem elevado os preços das proteínas naquele país, fará com que a produção de carne de frango se expanda nos próximos anos no país asiático, mas ainda assim haverá bom espaço para as importações, uma vez que a produção de frango na China é bem inferior à de suínos e o aumento previsto não conseguirá atender à demanda reprimida internamente.

De modo geral, o Brasil está bem posicionado no mercado internacional e deve manter o ritmo de crescimento das exportações nos próximos dez anos, assim como a demanda interna pela proteína seguirá uma trajetória ascendente, com reflexos positivos na geração do produto brasileiro.

Fonte: Agrolink

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