Com greve, prejuízos equivalem a ‘três Copas de 2014’

Prejuízos com paralisação dos caminhoneiros, que leva à parada de produção e à falta de produtos e combustíveis, são estimados em R$ 100 bilhões pelo professor da FEA-USP, Paulo Feldman.

Com greve, país pode perder o equivalente a 'três Copas de 2014'
Foto: ANANDA MIGLIANOO FOTOGRÁFICOESTADÃO CONTEÚDO

Os prejuízos à economia  com os bloqueios de caminhoneiros nas rodovias que paralisaram o escoamento da produção em todo o país são estimados em, no mínimo, R$ 100 bilhões, segundo cálculo de Paulo Feldman, professor da FEA-USP.

O custo é equivalente a mais de três vezes o que o Brasil gastou para organizar a Copa do Mundo de 2014. Segundo o último balanço, foram desembolsados R$ 28 bilhões pelo país no Mundial de futebol.

Mas, segundo Feldman, a perda maior, porém, é o abalo na confiança.

“Causou um impacto muito grande na economia, mas o pior problema é o mau exemplo que foi dado. Não se pensou no bem do Brasil, mas em atender interesses corporativos. Ficou claro que é um governo que cede às pressões de qualquer grupo que conseguir fazer alguma agitação”, avalia ele.

Na sexta-feira (25), a Anfavea (associação das montadoras) anunciou que todas as montadoras de veículos pararam a produção. Segundo a associação, o governo deixou de arrecadar R$ 1,3 bilhão com essa suspensão. A perda de receitas das fabricantes não foi divulgada.

No setor de frangos e suínos, a perda é estimada em R$ 1,8 bilhão com os cinco primeiros dias da greve. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 64 milhões de aves morreram em unidades produtoras por falta de ração, que não chegou devido aos bloqueios. O número pode subir a 1 bilhão de mortes. No domingo (27), o setor registrava  167 plantas frigoríficas de aves e suínos paradas, com mais de 234 mil trabalhadores com as atividades suspensas. A JBS paralisou unidades em cinco Estados.

Os produtores de leite dizem que 95 milhões de litros de leite que são produzidos diariamente no país estão sendo descartados. Para piorar,  produtores dizem que o risco é grande de começar a faltar ração para os animais.

O setor farmacêutico estima que os prejuízos, até à semana passada, passem de R$ 1 bilhão. “Se faltam remédios, as doenças crônicas e as agudas podem se agravar, elevando despesas hospitalares”, diz Nelson Mussolini, presidente da entidade.

O presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, calcula que 40% das atividades do setor tenham sido atingidas, comprometendo negócios de R$ 2,4 bilhões.

Sem conseguir escoar produtos até aos portos, as empresas exportadoras reduziram os embarques. Carne, café, açúcar, soja e etanol estão entre os mais afetados. São cerca de 320 mil grãos que deixaram de ser enviados ao exterior. Os frigoríficos estimam perdas de US$ 100 milhões por dia com as exportações.

Voos são cancelados
Os prejuízos também atingiram em cheio as companhias aéreas. No sábado, ao menos 101 voos foram cancelados; na sexta, outros 113. No limite, 14 aereoportos ficaram sem querosene durante a greve. No domingo (27), estavam zerados nove terminais da Infraero. Só na quinta (24), as aéreas perderam R$ 50 milhões, segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). A Latam, por exemplo, deixou de cobrar pelo reagendamento dos voos, por conta da paralisação.

Impacto no varejo
Já os supermercados já perderam vendas equivalentes a R$ 1,320 bilhão por conta do desabastecimento de produtos perecíveis, como frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes. Esses produtos respondem por 36% das vendas dos mercados. Batata, a cebola, o tomate e as verduras estão entre os produtos que o consumidor mais sentia falta na manhã de sábado.

O setor prevê que a situação só seja normalizada em até dez dias após o fim da greve, revelou a Abras (associação do segmento).

Dependente dos fretes, o comércio eletrônico deve perder em maio R$ 280 milhõe em faturamento, calcula a consultoria Ebit.

De acordo com André Dias, diretor executivo da Ebit, as vendas diárias nos últimos dias foram, em média, 20% menores do que o esperado pelo setor.

A FecomercioSP calculou, que, “no limite”, o varejo pode perder R$ 5,4 bilhões por dia com a paralisação. O site Reclame Aqui vê que o impacto no segmento dure até dois meses.

Fonte:DestakJornal

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