Com quilo da carne por até R$ 500, rebanho de boi japonês cresce no país

São apenas 7.000 cabeças da raça de origem japonesa para atender principalmente mercado de SP.

Uma raça com fama de complicada, e cujo quilo da carne pode ser vendido por até R$ 500 em açougues especializados, o wagyu tem conseguido atrair cada vez mais adeptos na pecuária brasileira, um mercado avesso a aventuras.

O trunfo do wagyu, de origem japonesa, é sua carne. Ela tem um alto índice de marmoreio (gordura entremeada), que confere textura e sabores únicos.

A criação compensa porque um animal, cujo custo beira os R$ 6.000, pode ter sua carcaça vendida por até R$ 12 mil (o custo de criação de um nelore, raça mais comum no país, chega a R$ 1.500).

Gado bovino da raça wagyu em uma das maiores criações da raça no país, em Americana (SP)
Gado bovino da raça wagyu em uma das maiores criações no país, em Americana (SP) 

Mesmo o retorno garantido, o volume de produtores da raça pura ainda é pequeno no país. São apenas 35 cadastrados na ABCW (Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu) —o número, no entanto, cresceu 40% no ano passado em relação a 2017.

“Tem muita gente com criações pequenas, que ainda não são associados”, diz George de Toledo Gottheiner, presidente da associação.

O que assusta os pecuaristas e impede que a criação do wagyu se massifique é uma “barreira cultural”, segundo Daniel Steinbruch, que cria 800 cabeças em Americana (SP).

“Os criadores acham que a criação é muito difícil, que é um bicho de sete cabeças. Mas não tem nada demais”, afirma.

O que encarece a produção do wagyu é a idade para o abate (de 28 a 30 meses) e tempo de confinamento (ao menos oito meses) —neste período, o animal não pasta, e se alimenta exclusivamente de ração, formada essencialmente por sorgo, trigo e aveia.

O milho aparece em menor quantidade porque o betacaroteno dos grãos deixa a gordura amarelada, o que reduz o valor comercial da carne.

Atualmente, o rebanho brasileiro de wagyu puro oscila entre 7.000 cabeças —quase nada perto dos 220 milhões de cabeças de gado criadas no Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística).

Os criadores estão concentrados em São Paulo, mas também espalhados por estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

“A maioria aproveita a estrutura já existente para a criação de outras raças e investe no wagyu para diversificar e obter mais valor agregado”, diz Gottheiner, da ABCW.

O trabalho da associação e dos criadores de wagyu é cativar novos produtores. “Não pensamos em concorrência, mas em parceria”, diz Steinbruch.

Ele, que cria o wagyu puro desde 2006, oferece benefícios especiais para quem comprar seus animais. “Se o produtor comprar um bezerro comigo, garanto a compra do animal pelo dobro do preço.”

Em junho, sua empresa, a Kobe Premium, vai inaugurar, também em Americana, um frigorífico para abate e desossa do wagyu.

Atualmente, o trabalho é feito por frigoríficos comuns, o que impede um aproveitamento melhor do animal.

“De modo geral, a indústria da carne não gosta de trabalhar com o wagyu”, diz Steinbruch.
O consumidor, no entanto, terá de esperar mais um pouco para encontrar a carne por preços mais acessíveis.

O setor ainda está longe de suprir a demanda nacional —o país já até importa a carne de wagyu do Uruguai e do Japão.

“Além da oferta e da demanda, também tem a característica da carne e os custos de produção, que pesam no preço final”, afirma o criador.

 

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