Como montar uma fábrica de ração peletizada

      3 comentários em Como montar uma fábrica de ração peletizada
Nas próximas semanas estarei postando uma série de artigos voltados para a ração peletizada, assim como foi feito na extrusão estarei passando etapa por etapa explicando e exemplificando os equipamentos que são utilizados e como se extrair o melhor de cada um, além de executar o melhor projeto possível da fábrica de ração. Alguns artigos serão reaproveitados, pois eles têm duplo sentido, ou seja, serve tanto para ração extrusada como para ração peletizada.
 
Vamos entender um pouco sobre o que é peletização. Segue abaixo trechos de algumas considerações feitas pelo Sr. José Eduardo Butolo, ao Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) e trechos do trabalho de pesquisa realizado por Idenio Clederson Schmitt em 2012.
 
Resumidamente o processo de peletização é um sistema de moagem dos ingredientes que compõem um alimento anima, misturado e comprimido, durante o processo ocorre a redução e a homogeneização das partículas dos ingredientes de uma ração, a massa misturada é colocada em contato com a água e vapor (em linhas pequenas não é obrigatório) dentro de um condicionador dotado de único eixo, ou condicionador duplo, ou condicionador de diâmetro e velocidade variáveis. Em razão da exposição ao calor e à umidade, ocorre alteração nas cadeias de amido. Essa pré gelatinização dos amidos é moderada, maior ou menor, em função do tempo de exposição a essas condições. Após o condicionamento, o produto é levado para uma câmara de compressão e é comprimido, forçando a sua passagem por matrizes com furação que variam de 4 mm  a 10mm dependendo que tipo de animal será alimentado com a ração que está sendo processada, posteriormente estes peletes são resfriados, triturados ou não dependendo da destinação final da ração (o processo de trituração será discutido a parte mas ele é usada para ração de pintinhos em sua maioria), ainda é possível fazer a aplicação de óleo ou melaço pós resfriamento e então são transportados para silos de ensaque e ou expedição a granel.

Os benefícios da peletização podem ser resumidos em maiores ganhos de peso em função do maior consumo, reflexo de melhor palatabilidade e preferência dos animais. O processo melhora sensivelmente a qualidade nutricional e microbiana do alimento, traduzido um melhor desempenho com menor desperdício de alimento. A forma física da ração tem um impacto importante na otimização do consumo de alimento e consequentemente proporciona uma oportunidade significativa de lucro.
 
O processamento inadequado não atinge os objetivos estabelecidos, e, portanto é muito importante produzir um pellet de boa qualidade com baixa porcentagem de finos. Há vários fatores que afetam a qualidade do pellet, sendo que a formulação da ração, tamanho das partículas que irão compor o alimento durante o processamento da ração moagem, mistura, condicionamento (temperatura, tempo de retenção, qualidade do vapor e nível de umidade), taxa de compressão da massa, resfriamento e acondicionamento pós-processo.

O ração peletizada facilita o consumo pelos animais, leva à menor movimentação e menor tempo gasto com alimentação, outro ponto importante é que a peletização vai apresentar uma maior digestibilidade dos carboidratos na dieta, é o que aponta Gadzirayi et. al.; (2006) que no processo de peletização são atribuídos diversos benefícios, como maior digestibilidade de carboidratos e proteínas da dieta, menor gasto de energia de mantença, redução no desperdício de alimento oferecido e diminuição da contaminação microbiana na ração. Os mesmos autores apontam um ponto importante que a peletização da ração traz é uma redução de 18% do desperdício de ração, em relação às dietas fareladas (ração farelada), isso ocorre devido à compactação dos ingredientes em comparação a farelada e consequentemente impede a separação e a seleção do que vai comer.
 
A peletização também aumenta a eficiência de retenção da energia metabolizável aparente, sendo essa melhor eficiência justificada pela melhor conversão alimentar das aves alimentadas com rações peletizadas ou trituradas (McKinney e Teeter, 2004). Já López e Baião (2004) e Klein (2009) apontam que a peletização no ponto de vista da fabricação apresenta vantagens, como aumento da palatabilidade, além de facilitar e estimular a ingestão devido à mudança da forma física, além do que evita a seleção de ingredientes, aumenta a densidade da ração o que reduz a necessidade de espaços para armazenamento e custos de transportes e consequentemente a ração peletizada diminui as perdas de ração no transporte, ou por não ocorrer à geração de pó como na farelada.
 
Os benefícios da ração peletizada, dentro das condições técnicas de processamento e controle de qualidade do produto final, têm como resultante melhor ganho de peso, melhor conversão alimentar e como consequência, melhores resultados econômicos, como podemos verificar na tabela abaixo.
 
Tabela 1 – Resultados de frangos de corte, sexados (50% ♂ e 50% ♀) aos 42 dias alimentados com rações fareladas e peletizadas dentro dos parâmetros técnicos.
           Índices zootécnicos
Forma da ração
Peso Médio
Ganho de peso diário
Consumo de ração
Conversão alimentar
Farelada
2.570 b
61,19 b
4.800g/ave b
1,867 b
Peletizada
2.710 a
64,52 a
4.500g/ave a
1.660 a

   Médias com letras distintas na mesma coluna diferem entre si pelo teste de 
   Tukey (P < 0,05)

 

E no processo de peletização é possível ainda incorporar medicamentos durante o processo de peletização das rações, todavia existem Instruções e normativas do MAPA, quanto à utilização de medicamentos em rações, tanto fareladas como peletizadas. Quanto à parte técnica, a utilização de medicamentos e ou aditivos zootécnicos em rações peletizadas é necessário conhecer as características dos mesmos quanto à resistência a temperaturas, pois durante o processamento a temperatura varia em torno de 80 ºC a 85 ºC e quanto ao nível de vapor, umidade e pressão.
A ração peletizada tem um custo mais elevado do que as rações fareladas em função dos equipamentos e processo, porém antes da implantação é importante fazer um estudo econômico tomando-se por base custo x beneficio podendo-se tomar por base os resultados apresentados no Quadro 1.
 
Para esse início de conversa vou deixar dois links de postagens antigas que eu recomendo que seja lido.
 
1: Vou montar uma fábrica de ração e agora?
 


 

2: Eu realmente preciso de tudo isso?
 

3 thoughts on “Como montar uma fábrica de ração peletizada

  1. Tiago stucchi

    Olá gostaria de montar uma fábrica de ração como faço preciso de curso algo desse tipo quanto de valor para iniciar ,como vender o produto preciso de pessoas especializadas.como funciona de modo geral .

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  2. armando dasilva pessoa neto

    sou zootecnista: desejaria saber se existe maquina peletizadora de pequeno porte no mercado do Pais, para vender. com capacidade para10kg/hora e quanto custaria. ao mesmo tempo desejaria o manual de como prepara uma ração peletizada, escrita em (PDF). agradeço sua gentileza. Cel:092995233995.
    E- mail: armando.@pessoa@bol.com.br

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