Cultivo de trigo é aposta para expansão no CE

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Em 2019, produtores, com apoio e supervisão da Embrapa e IFCE, iniciaram o plantio em uma pequena área, como teste. Os resultados foram promissores. A meta agora é expandir a produção de 5 hectares para 500 até 2022

Legenda: Por enquanto, a expectativa é de apenas uma safra por ano, para que haja rotatividade do terreno com plantação de outra cultura
Foto: TIMÓTEO MACHADO

Um experimento bem-sucedido no ano passado, com plantio de trigo no Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi, em Limoeiro do Norte, abre perspectiva de expansão da fronteira agrícola de grãos no Estado.

Acompanhado pela Embrapa Fortaleza, com apoio do IFCE e da Embrapa Trigo do Rio Grande do Sul, produtores conseguiram uma bom resultado e, agora, projetam crescimento já a partir deste ano, cuja colheita se inicia na primeira quinzena de setembro. Foram plantados cinco hectares em 2020.

“No ano passado, fizemos um experimento em meio hectare e vimos que daria certo”, relata o empresário e produtor, Alexandre Sales. Diante dos bons resultados de 2019 e boa projeção neste ano, o setor já planeja produção em maior escala. “Em 2021 queremos expandir o cultivo para 50 hectares e, em 2022, para 500”, detalha Sales.

Um dos fatores que sintetizam o êxito no período experimental, explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Afrânio Montenegro, é a irradiação solar mais intensa no Nordeste. “O ciclo da planta ocorre em função da fotossíntese e por desenvolver mais rapidamente não cresce muito, o que é bom, pois garante boa qualidade”. No Ceará, o clico observado foi mais curto em relação às áreas tradicionais do Rio Grande do Sul. Por lá, leva-se de 150 a 180 dias do plantio à colheita. No Ceará, em torno de 70.

Outras adaptações foram experimentadas. Diferente do que ocorre no Rio Grande do Sul, o plantio no Ceará foi irrigado. A estratégia deu certo e a produtividade aumentou. “Chegamos a colher o equivalente a 4 toneladas/ha, mas podemos melhorar”, pontuou Sales. O índice se assemelha ao montante do Centro-Oeste, cuja produtividade, nessa modalidade, é entre cinco e seis toneladas por hectare. Já no RS, em plantio não irrigado, colhe-se entre duas e três t/ha.

Para o cultivo do trigo em terras de clima mais quente, o agrônomo Timóteo Machado destaca ainda que o cereal foi “melhorado geneticamente”. “Escolhemos a variedade BR 264 de alta qualidade”.

Mercado

Com os bons resultados nos testes, Sales já projeta que, em até quatro anos, o Ceará possa atender 20% da demanda local voltada para a indústria de farinha de trigo, beneficiando o segmento industrial e o setor agrícola.

Atualmente o Ceará é o segundo maior importador de trigo do Brasil, atrás apenas de São Paulo. É um total de 1,2 milhão de toneladas por ano para atender à demanda de quatro grandes moinhos e o parque de indústria de massa alimentícia. A importação é feita da Argentina, EUA, Canadá, Rússia e do Leste Europeu. A cotação atual do produto é de R$ 1.000, a tonelada.

“Para o trigo importado de outros países, há a desvantagem da variação cambial e o frete do transporte”, complementa Sales. Deste modo, surgem outras vantagens na produção caseira, como os baixos custos operacionais.

“Há ampla demanda, temos redução de custo de transporte e ausência de interferência cambial”, pontua o presidente da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe – Apodi (Fapija), Raimundo César. Para ele, diante dos atrativos, o cultivo de trigo “é a nova promessa para o segmento agrícola” no Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste

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