Demanda por DDGS em MT deve chegar a 1,1 milhão de t em 2023

Expansão do  DDGS no mercado pode reduzir gastos com ração animal e estimular produção de carnes.

Foto: arquivo DBO.

Com a expansão da produção de etanol de milho em Mato Grosso, além de aumentar o consumo interno do grão, o Estado deve ter um crescimento também na geração de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis), subproduto do biocombustível que pode ser utilizado na ração animal. De acordo com relatório do Rabobank, se todos os projetos anunciados se concretizarem, a expectativa é que cerca de dois bilhões de litros de etanol sejam produzidos no Estado nos próximos dois ou três anos, gerando 1,2 milhão de toneladas de DDGS.

E a procura pelo produto deve acompanhar esse movimento: o banco estima que em 2023 haverá demanda de 1,1 milhão de toneladas de DDGS se o total da produção de ração animal (considerando aves, suínos, confinamento e semiconfinamento de bovinos de corte) projetada para o ano tiver em sua composição 30% de DDGS. Conforme a geração do produto aumente, Mato Grosso pode até vender para outros Estados ou países. Os Estados Unidos, por exemplo, exportam mais de 10 milhões de toneladas por ano de DDGS, segundo o Departamento de Agricultura (USDA).

Preços

Levantamento do Rabobank para o Estado de Illinois, nos EUA, grande produtor de milho e onde o mercado de DDGS já está consolidado, aponta que, apesar dos teores proteicos relevantes para dieta animal, o preço do produto fica mais próximo do valor do milho do que o do farelo de soja – que é o mais caro entre eles. As cotações médias nos últimos dez anos ficaram cerca de 10% abaixo dos preços do milho, porém em alguns período chegaram ser 20% maior.

O banco explica, contudo, que esses valores podem variar bastante, já que a qualidade do DDGS pode mudar de uma usina para outra, de safra para safra e até dependendo do híbrido de milho utilizado. “Além disso, a necessidade de proteína e energia é muito diferente entre bovinos e monogástricos, o que também altera a base de negociação do produto a depender de suas peculiaridades nutricionais”.

Com base nesse levantamento, o Rabobank apresentou algumas estimativas para o preço do DDGS em Mato Grosso – ainda que as condições para o produto tenham que ser testadas no país. No gráfico abaixo, por exemplo, o banco simula diferentes faixas de valores para o produto dependendo dos valores do milho. “É importante ressaltar que essa é uma estimativa teórica e que questões como a disponibilidade do produto e de ingredientes substitutos poderão influenciar de maneira relevante a análise”, informa o relatório.

Produção de Carnes

“A disponibilidade de DDGS traz mais opções para os produtores da região, que podem se beneficiar da oferta de diferentes ingredientes para a composição da dieta animal, o que deve manter os custos da ração abaixo dos patamares observados em regiões sem essa oferta”, explica Adolfo Fontes, analista sênior do Rabobank, no relatório.

Nesse cenário, haverá motivação extra para o avanço das produções intensivas de gado, suínos, aves e pescado no Estado. Com a transformação que já tem ocorrido nas fazendas e essa possível redução de custos, o banco estima um crescimento anual médio de 5% entre 2017 e 2023 para a produção de carne bovina no Estado, o que pode aumentar a participação no total nacional de 13% (2017) para 15% (2023). No geral para as três proteínas, espera-se quase 800 mil toneladas a mais por ano até 2023, alta de quase 40%. Com esse crescimento, as vendas externas devem crescer. Atualmente, segundo o Imea, Mato Grosso destina 63% da sua produção de carne a outros Estados, exporta 25% e atende com 12% o consumidor local.

Em relação à indústria, o Rabobank coloca que não somente os grandes players estão analisando e investindo no Estado, como também as pequenas e médias empresas regionais têm se desenvolvido. O banco ainda destaca que a capacidade já instalada na região ainda tem potencial de utilização. “De toda forma, novos investimentos ainda devem ser realizados, tanto do ponto de vista de novos projetos, quanto no que se refere à modernização de algumas plantas hoje inativadas ou ociosas – principalmente no setor de bovinos de corte”.

Fonte: Portal DBO

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