Escherichia coli e sua relação com as doenças respiratórias

Por Eva Hunka, médica veterinária, MSc em Medicina Veterinária Preventiva

A indústria avícola vem enfrentando vários desafios sanitários, muitos de origem viral e/ou bacteriana. As Doenças Respiratórias possuem um papel de destaque neste contexto, pois na maioria dos casos possuem causas mistas, onde muitas vezes a infecção viral acaba por ser agravada por uma contaminação bacteriana secundária. Nestes casos a E. coli patogênica (APEC) desempenha um importante papel no agravamento do quadro clinico, muitas vezes tratado como uma Síndrome.

No caso das infecções pelo vírus da Bronquite (IBV), a morbidade costuma ser de 100%, porém a mortalidade é muito variável pois depende da idade e do estado imunológico das aves, a cepa viral do desafio de campo, e dos agentes primários e secundários envolvidos. Quando ocorrem infecções mistas do trato respiratório, principalmente nos casos de Bronquite e Pneumovirose os sinais clínicos e lesões tendem a complicar as decisões de diagnóstico e dificultar o seu controle.

Estas infecções mistas tendem a facilitar o caminho para uma infecção bacteriana secundária causada pela APEC, tanto do trato respiratório como, muitas vezes, sistêmica e, assim, resultando em aumento gravidade e mortalidade associadas à doença.

O aumento da susceptibilidade à infecção bacteriana após a infecção viral é bastante estudado, mas ainda não é bem entendido. Uma das hipóteses são os danos causados ao tecido do trato respiratório com comprometimento funcional como: Diminuição da atividade ciliar com maior acumulo de muco e perdas dos cílios ou mesmo das células ciliares. Também existe uma hipótese de alterações  imunes inatas ou seja, relacionadas à adesão e fagocitose.

As lesões causadas pelos vírus respiratórios são severas o suficiente para permitir que a E. coli (APEC) dê origem a infecções generalizadas com elevados índices de mortalidade e perdas econômicas significativas.

Apesar de pouco difundida no Brasil, a vacinação contra E. coli, com vacina viva, é uma grande aliada para redução desta mortalidade, com melhoria no ganho de peso e uniformidade dos lotes, pois além de atuar especificamente contra o patógeno, a vacina melhora a resposta imune inespecífica de forma a colaborar com a saúde da ave.

Por ser vista como um patógeno secundário, a E. coli acaba não fazendo parte do programa sanitário principal, porém, atualmente, é uma das principais causas de uso de antimicrobianos na indústria avícola. Com a mudança dos sistemas de criação e a tendência de redução de uso destes medicamentos, a vacinação é uma medida que deveria ser considerada como parte do programa de controle de patógenos no Brasil, como já ocorre em outros países.

Fonte: Avicultura Industrial

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