Fábrica de Ração – Localização, Instalação e Edifício Parte II

Nessa segunda parte do texto vamos focar no interior da fábrica de ração, quais os procedimentos para a construção da planta produtiva para que ela esteja dentro dos parâmetros de qualidade.

Nas áreas de processamento de ração, os pisos devem ser de material resistente ao trânsito e ao impacto. No projeto de construção da fábrica o piso deve, por convenção, ter uma espessura de 20 mm de concreto, com uma malha reforçada de aço para poder aguentar equipamentos que pesam de 1 a 7 ton aproximadamente. Esses pisos devem ser de fácil drenagem, limpeza ou higienização.

Na área da extrusora o piso de ter um declive em direção aos drenos, para facilitar o escoamento na limpeza do canhão da extrusora, que é feito sempre no fim do turno. Na área de produção, devem ser evitados os ralos, e quando necessário, devem ser do tipo sifão ou similar dotados de fechamento e não devem permitir a formação de poças.

Da mesma forma, as canaletas, quando absolutamente indispensáveis, devem ser lisas com declive para o sifão ou similar. Nas áreas onde se armazenam ou manipulam produtos higroscópios os pisos devem ser impermeáveis e laváveis.

As paredes e divisórias devem ser lisas, sem frestas ou rachaduras, de fácil limpeza ou higienização. Normalmente são pintadas com tinta branca a óleo para facilitar a limpeza, evita a absorção de água e produtos químicos e é fácil de secar.

O teto e as instalações aéreas devem ser construídas ou revestidas de modo que impeçam o acúmulo de sujeira e que reduzam ao mínimo a condensação e a formação de mofo. Devem ainda ser de fácil limpeza. Para a parte aérea a recomendação é a mesma que fiz anteriormente, evitar vigas com a “U” que possui uma possibilidade maior de acumular sujeira e, caso a empresa possua estrutura com viga tubular, as extremidades devem ser tampadas.

As janelas, portas e outras aberturas devem evitar o acúmulo de sujeira e serem de fácil higienização. As que se comunicam com o exterior devem ser providas de proteção contra pragas. As proteções devem ser de fácil limpeza e boa conservação. Utilizam-se portas teladas para que possa ter boa circulação de ar na fábrica, quando  a fábrica não possuir sistema forçado de ventilação e cortinas de vento que bloqueiam a passagem de pregas do meio exterior para o interior.

As escadas, elevadores de serviço, monta-cargas e estruturas auxiliares, como plataformas, escadas de mão e rampas devem estar localizadas e construídas de modo que não sejam fonte de contaminação. Todos os equipamentos devem ser acessíveis aos funcionários para sejam higienizados e seja de fácil manutenção. Para maiores detalhes consulte a nossa série de textos sobre NR-12.

Nas áreas de elaboração dos produtos, todas as estruturas e acessórios devem ter acesso fácil e portas de inspeção instalada, de forma que não dificultem as operações de limpeza e evitem a contaminação direta ou indireta da matéria-prima, dos produtos e das embalagens.

Os refeitórios devem estar completamente separados dos locais de manipulação dos produtos e não devem ter acesso direto e nem comunicação direta com estes locais. Os estabelecimentos devem dispor de vestiários e banheiros em número suficiente, separados por sexo, bem iluminados e ventilados, de acordo com a legislação. Devem ser bem localizados,  sem comunicação direta com o local onde são processados os produtos destinados à alimentação animal e devem permitir o escoamento sanitário das águas residuais. Os lavabos devem estar providos de sabão líquido, detergente, desinfetante para higiene das mãos e de meios higiênicos para sua secagem. Os vestiários e banheiros devem ser mantidos limpos e as instalações para lavagem das mãos nas áreas de produção, quando assim for necessário, devem ser instaladas em locais adequados e providas de tubulações devidamente sifonadas que transportem as águas residuais até o local de deságue.

Todos os locais destinados à lavagem das mãos devem conter avisos sobre os procedimentos para a correta lavagem ou higienização e os funcionários devem passar por um treinamento com o gestor da qualidade para aprendizado dessas técnicas. A instalação para limpeza e desinfecção dos utensílios e equipamentos de trabalho, quando necessária, deve ser específica para a atividade. Um exemplo é ter um sabão alcalino para remover resíduos de gordura das superfícies e o sabão neutro para os resíduos de fácil remoção.

O estabelecimento deve dispor de abastecimento, armazenamento e distribuição de água suficiente para as operações propostas. Em fábricas de ração o uso de água é bem comedido, o maior consumo de água, será utilizado na extrusora e essa água será absorvida pelo produto, para ajudar no cozimento do produto dentro do canhão da extrusora. Ao final do processo é sempre importante fazer a higienização do canhão retirando o excesso de produtos que fica no canhão. Por ser uma empresa que utiliza pouca água em relação a outros processos, a higienização dos equipamentos deve ser feita pelo menos uma vez por mês para evitar que haja crostas de proteína e gordura nos equipamentos, chão e paredes.

Os estabelecimentos devem dispor de um sistema eficaz de tratamento e eliminação de águas residuais, aprovado pelo órgão ambiental competente. Para a fábrica de ração a maior parte tratada da água deve ser destinada ao escritório, refeitório e banheiros e como não gera nenhum tipo de resíduo, principalmente efluentes (resíduos líquidos), toda água de limpeza da fábrica e dos equipamentos deve ser enviada diretamente para a rede de esgoto pública.  Caso a empresa esteja instalada na zona rural essa deve ser encaminhada para uma fossa séptica, ou nesse caso, pode ser direcionada para uma lagoa com peixes, caso não tenha resíduos de sabão.

Os estabelecimentos devem ter iluminação natural ou artificial, que possibilitem a realização das atividades. Para economizar energia deve-se colocar o máximo possível de telhas transparentes ajudam na iluminação.

As fontes de luz artificiais devem estar protegidas com capa de plástico para caso a lâmpada estoure não caia pedaços de vidro na matéria prima ou no produto acabado. As instalações elétricas devem estar perfeitamente alojadas nas eletro calhas. Essas devem ser fechadas para evitar o acumulo de pó na fiação e para evitar o trânsito de roedores pela fábrica. As instalações elétricas devem estar perfeitamente revestidas por tubulações isolantes e presas nas paredes e tetos, de maneira a dificultar o acúmulo de resíduos de qualquer natureza.

O estabelecimento deve dispor de ventilação adequada de forma a evitar o calor excessivo, a condensação de vapor e o acúmulo de poeira, com a finalidade de eliminar o ar contaminado. No caso de utilização de ventilação forçada, a direção da corrente de ar deve seguir o fluxo contrário da produção. As aberturas de ventilação devem ser providas de sistemas de proteção para evitar a entrada de pragas e agentes contaminantes.

O local destinado para lixo e resíduos não aproveitáveis deve ser isolado da área de produção, de fácil acesso, devidamente identificado, construído de modo a impedir o ingresso de pragas e evitar a contaminação da matéria-prima e produtos acabados.

Os produtos resultantes de devolução, recolhimento ou apreensão devem ser identificados e colocados em setor separado, pelo período mínimo suficiente para sua destinação final, devendo ser mantidos em condições tais que evitem sua deterioração e sua contaminação.

As vias de acesso e os pátios devem ser mantidos livres de entulhos, lixo, ou qualquer material que propicie o aparecimento de pragas.

E assim terminamos mais um módulo do nosso estudo sobre Controle de qualidade e as Boas Práticas de Produção, aos poucos vamos aprofundando no assunto.

Um Forte Abraço!

Rafael Resende

 

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