Frigorífico produzirá farinha e ração de peixe em Rondônia

Frigorífico produzirá farinha e ração de peixe em Rondônia

Empresa também exportará para países de três continentes.
Estimativa é começar a produção em um ano e meio.

Frigorífico exportará pescado (Foto: Divulgação/Decom)
Frigorífico exportará pescado (Foto: Divulgação/Decom)
A produção pesqueira ganhará no Polo Industrial de Porto Velho, na rodovia BR-364, um frigorífico de peixes com capacidade instalada para 15 mil toneladas/ano, das quais, 30% se destinam ao comércio internacional. Ainda esta semana, a empresa começa a visitar produtores rurais no eixo Ariquemes-Porto Velho, para estreitar laços e oferecer negócios em mão dupla.
A empresa Rondônia Alimentos estima o prazo de um ano e meio para a produção de produtos pesqueiros prontos para o consumo. Paralelamente, fabricará farinha e ração de peixe, atualmente adquiridos fora do estado.
Reunidos no dia 28 de maio com representantes das secretarias estaduais de agricultura e de desenvolvimento ambiental, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e técnicos do Sebrae, seus diretores apresentaram na 4ª Feira Rondônia Rural Show a consolidação do projeto que visa completar a cadeia de peixes do estado com 100% da produção de três espécies: tambaqui, pirarucu e pintado.
Via pacífico
A empresa prevê embarques de cargas exportadas para a Espanha, Estados Unidos e países asiáticos, pelo porto de Ilo [Oceano Pacífico, Peru], a 3,6 mil quilômetros de Porto Velho. Para tanto, existe o forte estímulo das boas relações comerciais e diplomáticas entre os dois países. “O Peru é menos embaraçoso que o porto de Santos”, anima-se Aguiar.
Os empresários pretendem aproveitar bem a produção pesqueira em Rondônia. Segundo a FAO [segmento da ONU para alimentação e agricultura] o consumo de peixe por pessoa é de apenas 17 quilos, concentrado nos grandes centros, e quando aumenta, não vai além de 25 Kg. Enquanto isso, Portugal consome 78 Kg/ano, a Espanha 90 kg e o Japão 130 Kg.
Para mudar essa situação, o frigorífico rondoniense usará um método de trabalho com crianças, com figuras animadas nos produtos. Da Turma da Mônica, por exemplo. “Nossa meta é pura qualidade em stakes, nuggets e outros produtos pelo processo CMS [carne mecanicamente separada]”, anuncia Aguiar.
Segundo ele, a exemplo de outros estados brasileiros, os pescados para exportação em Rondônia reunirão aminoácidos essenciais que auxiliam na formação das proteínas, resultando no crescimento e manutenção de um corpo saudável. “Eles apresentam carne com baixo teor de gordura, com predominância da polinsaturada [ômega 3 e ômega 6]; têm ótimas doses de vitaminas A, D, E e do complexo B; e quatro vezes mais cálcio que outros tipos de carne”.
“Já iniciamos negócios com a China e o Japão, e na Europa, com a França, Espanha e Portugal, dos quais obtivemos cartas de interesse em importar nossos produtos”, relata o diretor da empresa, Laércio de Aguiar. Ele conta ainda com apoio de projeto de promoção comercial de produtos brasileiros, no âmbito do Ministério das Relações Exteriores.
Cortes diferentes
“A principal linha de produtos inclui cortes de pescados temperados, frescos [em atmosfera modificada], em tecnologia sous vide [a vácuo com tempero] e produtos empanados, explicou o diretor administrativo da empresa”, Arhur Labes Neto.
Sous vide é tecnologia francesa, explica Neto. Outras tecnologias permitirão que o produto fresco tenha maior durabilidade, aumentando de quatro a cinco para 12 dias na prateleira, graças à troca de gases [nitrogênio e carbono] na embalagem.
“Controlamos desde a rastreabilidade da matéria-prima até a ponta final do consumo, passando pela despesca, logística bruta, processamento industrial, inovação e tecnologia, comercialização e exportação de produtos de alto valor agregado”, explica Aguiar.
Neto e Aguiar são especialistas no setor. Comandam três empresas em São Roque (SP), a 60 quilômetros da capital paulista: Mestre dos Mares, Ranaville e Pescara. Lembram que relatório do Rabobank (holandês), considerado o maior banco do agronegócio no mundo, apontam o Brasil como “o próximo tigre mundial da piscicultura”.
Reflorestamento
Em termos ambientais, o estado tem muito a ganhar. No incentivo à construção das indústrias da Rondônia Alimentos formalizou parceria de alto significado, destacou o coordenador da Floresta Plantada na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental, Edgar Menezes Cardoso. “Serão destinados recursos para reflorestamento nas regiões produtoras”, ele comenta.
Ainda não há estimativa do total das áreas beneficiadas em conservação ambiental, mas a empresa antecipa que irá procurar assentamentos rurais, a fim de tirar seus produtores da fase do extrativismo e, com isso, obter fonte de renda.
“Queremos incentivar piscicultores, através da compra de matéria-prima pelo método fair trade label [a preço justo]”, disse Aguiar.
Segundo ele, dejetos de pirarucu, por exemplo, são ricos em matéria orgânica e são usados no cultivo do açaí, cacau e castanha. “Isso é sustentável e de responsabilidade social.

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