Futuro do Brasil está na aquicultura

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Futuro do Brasil está na aquicultura

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Última reportagem da séria sobre a piscicultura em Mato Grosso mostra o potencial de crescimento da atividade pelos caminhos da genética

O engenheiro civil José Mário Ribeiro Mendes, 67, é autodidata em piscicultura. Paulista, migrou para Mato Grossono final da década de 80 para trabalhar pela colonizadora Mutum na fundação do município Nova Mutum. 

Quando estava de folga, seu hobby era pescar, especialmente matrinxã (conhecido como o salmão de água doce) no Rio Arinos. Foi aqui, conta, que se apaixonou por pescaria e onde viveu períodos distintos, da abundância e da escassez de peixes de rio. 

Ao perceber que a reprodução dos pescados em habitat natural não acompanhava a exploração, ou seja, a quantidade retirada pelo homem, decidiu colaborar produzindo alevinos para repovoar os rios. A ideia inicial era capturar matrizes da espécie de sua preferência, as matrinxãs, para fazer a reprodução em laboratório. 

Alem pesquisar e ler muito sobre o assunto, José Mário viajou até o centro de pesquisa em aquicultura da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Jaboticabal, de onde retornou desanimado. Ele descobriu que não adiantaria trazer alevinos de lá para tentar repovoar os rios. 

Ouviu dos pesquisadores que, sem as condições adequadas, o peixe não sobreviveria. A destruição da mata ciliar e a pesca predatória concorreriam com os predadores naturais. José Mário desistiu de repovoar os rios, mas não de pesquisar e produzir peixes. 

Ele começou a produzir peixes em viveiros e em poucos anos tornou-se uma referência no segmento. Agora é sócio da Delicious Fish, do Grupo Gaspar, maior produtora de peixes em cativeiro do Estado e dona de um grande frigorífico que deve começar a operar no mês que vem. 

A empresa da qual é parceiro, como gosta de dizer, está instalada em Sorriso (420 km de Cuiabá), tem duas fazendas que totalizam 400 hectares de lâmina d’água para produzir peixes. São cerca de 200 lagoas de nascente e água da chuva e tanques escavados. 

Além de espécies comuns como tambacu (híbrido, resultado do cruzamento do tambaqui com pacu-caranha), tambatinga e o pintado da Amazônia, a empresa está fazendo experiência da criação de pirarucu, peixe que pode atingir mais de 200 quilos. 

Atualmente José Mário é diretor da Genetic Fish, uma unidade de melhoramento genético e produção de alevinos que também funciona em Sorriso. O laboratório tem um espaço exclusivo com 60 incubadoras e 40 caixas direcionadas especialmente para pesquisa. Os 15 milhões de alevinos que saem desse laboratório atendem às necessidades do próprio grupo e de centenas de piscicultores do Estado. 

Para José Mário, os rios que cortam Mato Grosso, assim como acontece em outros estados, chegaram ao limite da exploração e estão longe de atender a demanda de consumo. Há muitos anos os níveis de piscosidade caem, enquanto a preferência pelo peixe cresce na mesa dos brasileiros. 

O futuro do país, sentencia, é a aquicultura, a ciência que estuda técnicas de cultivo e reprodução de peixes (de água doce e salgada), algas, crustáceos ou moluscos. 

PROTEÍNA – O peixe, a proteína animal considerada mais saudável ao consumo humano, recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), não está entre as mais consumidas no Brasil. 

Enquanto a média de carne vermelha (bovina, suína, por exemplo) é de 36 quilos por habitante ao ano, a de peixe não chega nem na metade. Em 2013, o brasileiro comeu em média 14,5 quilos de peixe, conforme dados do Ministério da Pesca e Aquicultura. 

Mas o consumo, ao contrário da carne vermelha, está em crescimento. De 2012 para 2013, por exemplo, cresceu quase 25%. Se o consumo cresce, a produção acompanha. A criação de pescado em cativeiro no Brasil atingiu 628,7 mil toneladas, o que representou um crescimento de 31,1% em relação ao ano anterior. 

Mato Grosso está entre as unidades da federação que contribuem com esse crescimento. Ano passado, o Estado tornou-se campeão, produzindo 75 mil toneladas ao ano, o que representa 19,3% do país. 

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