Micotoxinas, o inimigo invisível que pode reduzir os ganhos da sua produção

Equipe técnica da Trouw Nutrition esclarece principais pontos sobre a contaminação por substâncias tóxicas produzidas pelos fungos.

Avicultores, suinocultores, produtores de leite, pecuaristas de corte e piscicultores estão sempre alertas aos desafios do campo, que envolvem problemas sanitários, ambientais, de manejo e alimentação. “Atenção especial é dada à nutrição, uma vez que é o item que mais impacta os custos de produção (cerca de 70% dos gastos totais). O melhor desempenho animal também depende da qualidade da ração. Então, o cuidado precisa estar em todas as etapas: da fabricação até o comedouro”, explica Fernanda Andrade, gerente de programa Feed Safety da Trouw Nutrition.

As micotoxinas também causam riscos à saúde humana, conforme relata o professor Luís Roberto Batista do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) da UFLA: “Elas são resistentes ao tratamento térmico que normalmente os alimentos sofrem, como a torração e a pasteurização. Para o consumidor, quando ingeridas, essas micotoxinas podem acarretar graves problemas à saúde, principalmente nos rins e no fígado”.

A contaminação em humanos ocorre de forma direta (o homem come o grão contaminado) ou em cadeia alimentar, como o milho é o principal componente da dieta animal, participando com mais de 60% do volume utilizado na alimentação animal de bovinos, aves e suínos, os fungos passam do cereal para os animais e dos animais para os humanos, através da carne ou leite.

“A contaminação microbiológica não pode ser vista a olho nu, mas é um desafio constante para os produtores. Ela pode chegar pela água, matérias prima, estar no ambiente e ocorrer durante o processo de fabricação. De maneira geral, praticamente todos os insumos usados na alimentação animal têm potencial de desenvolvimento fúngico. Fatores, como ambiente, umidade e temperatura, também influenciam em um maior ou menor grau”, complementa Fernanda.

Micotoxinas e Culturas

Atualmente são conhecidas mais de 400 micotoxinas. “As principais que afetam os grãos de milho e sorgo são as aflatoxinas, as fumonisinas, os tricotecenos (que são o maior grupo de micotoxinas conhecidos) e a zearalenona”, diz Flávio. No Brasil, a agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta os limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos, o especialista esclarece que no campo os produtores podem empregar uma série de medidas para mitigar a contaminação por esses fungos na   pós-colheita, e na indústria há tratamentos que podem ser realizados.

No laboratório de Micotoxinas e Micologia de Alimentos, o professor Luís tem pesquisado cinco diferentes tipos de micotoxinas e a sua contaminação em alimentos: a ocratoxina A (OTA) – a mais tóxica e a mais relevante entre as ocratoxinas – e as aflatoxinas B1 e B2, G1 e G2. “Pesquisamos os fungos que são produtores de micotoxinas, a partir do momento que eles são identificados, nós sugerimos soluções para que não possam se desenvolver nos alimentos. Além disso, avaliamos quais são os alimentos mais suscetíveis a essas micotoxinas”. Para as algumas culturas, uma das soluções é a utilização de fungos que não produzem micotoxina no mesmo ambiente. “Há fungos que não produzem micotoxinas e que estão na natureza, assim criamos uma competição entre eles em determinada cultura”.

 

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