Novo abatedouro de suínos do AM vai diminuir importação de carne da região Sul

Inaugurado nessa segunda-feira (7), unidade tem capacidade inicial para abate de 100 animais por dia

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Foto: Winnetou Almeida

Com a inauguração, ontem, do segundo abatedouro de suínos no Amazonas abre-se um novo caminho para o agronegócio no Estado e a possibilidade de surgimento de uma nova matriz econômica. O novo local realizará o corte de suínos de todo o Estado e vai diminuir a dependência da importação desse tipo específico de carne da região Sul do País.

O abatedouro, que se chama Rio Quality, está localizado no quilômetro 15 da BR-174 no ramal Mete Marcha, km 3, com a capacidade de abater, inicialmente, 100 animais por dia para comercialização desde a carcaça, pé, orelha, rabo e costela.

O primeiro matadouro de suínos do Estado foi inaugurado em 2011 somente para o corte de carnes da fazenda Bela Vista em Rio Preto da Eva, distante 79 km da capital.

Presente à inauguração, o governador Wilson Lima (PSC) prometeu desenvolver o setor primário e garantir incentivos à produção de grãos no Estado, principal insumo da suinocultura.

“Temos um potencial muito grande, gente qualificada e empresários dispostos a investir. Então, por que a gente não faz? Respeitando a questão ambiental e promovendo o desenvolvimento sustentável vamos dar os incentivos necessários para que isso ocorra. No momento em que se tem grãos, facilita a ração para suinocultura, avicultura e piscicultura”, afirmou.

Segundo o presidente da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf), Alexandre Araújo, o rebanho suíno do Estado é formado por 38 mil animais concentrados nos municípios da região metropolitana e em Apuí, a 408 km da capital. Conforme Araújo, 99% da carne suína consumida no Estado é originária de Santa Catarina.

“O criador tendo a estrutura para abater, ele vai ter a segurança de planejar a sua criação. Vai fomentar toda a cadeia produtiva de suínos no Estado, principalmente, da produção que deve ser incentivada criando uma nova matriz econômica dentro do setor primário e, assim, diminuindo a importação de outras regiões do Brasil”, avalia. Entre as dificuldades no setor primário, apontadas pelo titular da Adaf, está a logística, com a necessidade de melhor infraestrutura nas vicinais e ramais, e a facilidade de acesso ao crédito rural.

Segundo o proprietário do abatedouro, Felisberto Sarkis, a propriedade irá abater suínos de todo o Estado. Ele estima a geração de 20 mil novos empregos na zona rural de Manaus: “O abatedouro já gerou 25 empregos diretos e do Estado vai passar de 60 mil novos empregos. As pessoas vão voltar a ser criador de suíno de novo. Imagina mandar R$90 milhões para o pessoal produzir em Rondônia e no Rio Grande do Sul gerando empregos e nós aqui?”.

Conforme o diretor administrativo do abatedouro, Michel Ribeiro, fica a critério do produtor rural realizar a própria comercialização ou concluir o processo de venda no próprio abate. “Para isso conseguimos fazer um contrato com os supermercados do Estado e, assim, escoar a produção”, disse o investidor.

38 mil

É o rebanho de suínos do Amazonas. Conforme o presidente da FAEA, Muni Lourenço, o setor primário conta com o orçamento para 2019 de quase R$400 milhões para investimentos em assistência técnica, infraestrutura e ampliação da defesa agropecuária.

“Portas estão abertas para investidores”, diz secretário

O secretário de Produção Rural (Sepror), Petrúcio Magalhães, afirmou que a sua gestão irá estimular programas para incentivar a produção de milho no Estado, um dos itens da composição da ração da pecuária.

“As portas estão abertas para os investidores. Para abater o suíno é preciso criar o animal e um dos custos principais da ração é o milho e a soja. Vamos estimular através de um programa desde a mecanização, programa pró calcário para garantir a neutralidade do solo e também a boa produtividade para o milho”, disse o engenheiro agrônomo.

O titular da Sepror falou que a atividade requer mão de obra qualificada e entre os desafios para o desenvolvimento da suinocultura está a desburocratização de linhas de crédito, acelerar os processos de licenciamento ambiental e a questão fundiária.

Fonte: A Crítica

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