“Para se manter na atividade precisa de muita força de vontade e gostar do que faz”

Atividade exige muito do produtor rural e não remunera na mesma proporção, tem margem de lucro pequena e alto custo de produção.

Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Produzir leite não é uma tarefa fácil, requer muita dedicação todos os dias da semana, inclusive nos finais de semana. O produtor de leite não para nunca, não tem sábado, tampouco domingo, vive em função de alimentar os animais, tirar leite, produzir comida, fazer parto, cuidar da sanidade do rebanho, reformar o galpão, fazer cerca e muito mais. Nessa matéria Jaime Rosset conta um pouco da história da família Rosset, da Linha Rio Verde interior de Erechim, que há 30 anos produz leite, comida para o Alto Uruguai.

O trabalho do produtor de leite não se encerra ao final do dia, apenas se cumpre mais uma etapa, que irá se somar ao dia seguinte. Para o leite chegar até a prateleira do mercado e à mesa do consumidor, ele percorre um longo caminho, são muitas noites sem dormir, muito esforço físico e mental, abaixo de temporal ou sol escaldante, isto é, enfrentando a natureza e o que dela vier.

Jornal Bom Dia: Quanto tempo trabalha com leite e quantas pessoas estão envolvidas no processo de produção?

Jaime Rosset: São mais de 30 anos que produzimos leite e apenas cinco anos industrializando. Antes disso o produto era vendido in natura. Eu atuo diretamente na produção de leite juntamente com meus pais Abelino e Glótia Rosset. Já na industrialização do produto trabalha Luciana Rosset com o auxílio de sua filha Marina Rosset quando não está em horários de aula.

A maior dificuldade de trabalhar com leite e por quê?

A maior dificuldade é o trabalho permanente, sem final de semana, nem férias. Outra dificuldade é a produção do alimento para os animais, que depende de um planejamento antecipado para todo o ano. Também tem o problema da escassez de mão de obra, pois tem muito serviço para poucas pessoas.

Para o produtor se manter na atividade ele tem que transformar o leite, fazer queijo para agregar valor?

Não necessariamente, a opção é de cada propriedade, pois o custo da industrialização é um investimento alto e poucas propriedades investem nisso. Nossa propriedade resolveu investir para agregar valor a nossa produção.

Qual o sistema de produção, vaca a pasto com complemento de ração e silagem? Como é?

A base da alimentação é o pasto, mas há um complemento de ração e silagem no cocho. As vacas durante o dia ficam no pasto, são recolhidas para ordenha e após isso, recebem complemento de alimento no cocho. Durante a noite são soltas novamente.

Qual é a área utilizada para produção? Tem galpão para tratar os animais e sala de ordenha mecanizada? Como são as condições de trabalho?

A área utilizada é de 10 hectares, ela serve para pastagens, plantio de milho para silagem e milho para grão. Dispomos de um silo graneleiro com capacidade de 1000 sacas, dois silos para silagem e uma sala de ordenha com uma ordenhadeira canalizada de dois conjuntos e um resfriador a granel de capacidade de 750 litros. Um barracão com 20 canzis e mais um espaço para 10 novilhas.

O preço do leite in natura cobre os custos de produção? Os custos de produção estão muito elevados, cite um exemplo?

O nosso custo de produção está em torno de R$1, já o preço do leite in natura é de R$1,20. A margem de lucro é pequena e o custo de produção está alto, porque é influenciada pela alta do farelo de soja que é a base da ração. Também o custo é influenciado pelo aumento dos insumos, para produzir os grãos e as pastagens, como adubo, ureia e sementes.

O que é preciso para se manter na atividade, conte um pouco da sua experiência? Como a produção de leite vai se manter e crescer?

Para se manter na atividade precisa de muita força de vontade e gostar do que faz, porque tem uma grande desistência da atividade, por falta de sucessão familiar e pouca renda, pois quem produz pouco é pouco remunerado. A gente não pensa em expandir por falta de mão de obra.

Fonte: Jornal Bom dia

Deixe uma resposta