Pescadores e investidores discutem implantação do cultivo comercial de camarão no AP

Atualmente, estado tem apenas pesca artesanal do crustáceo e envolve cerca de 7 mil famílias. Evento segue até terça-feira (23), na Embrapa.

Pesquisadora apresenta informações sobre cultivo de camarão em água doce — Foto: Embrapa/Divulgação

Pesquisadora apresenta informações sobre cultivo de camarão em água doce — Foto: Embrapa/Divulgação

A implantação do cultivo comercial de camarão no estado é o tema principal de um curso que reúne pescadores, investidores e pesquisadores até terça-feira (23), na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) do Amapá, no bairro Universidade, Zona Sul de Macapá.

O evento, chamado de “1ª Workshop sobre Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na cadeia produtiva de camarões de água doce na Amazônia brasileira”, é a primeira ação do projeto “Propaga”, financiado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com Jô Farias, coordenador do evento, o projeto visa implementar tecnologias para desenvolver a cadeia produtiva de camarão de água doce no Amapá.

“A ideia é fazermos a propagação das tecnologias para produção da base, no caso, o primeiro insumo são as larvas. Depois, você tem o outro elo que é o cultivo, e em seguida a cadeia que vai cuidar da produção de ração. Esse é o grande desafio, juntar todos os elos e tentar viabilizar a criação de camarões por meio da aquicultura”, explicou Farias.

Jô Farias durante apresentação em workshop — Foto: Embrapa/Divulgação

Jô Farias durante apresentação em workshop — Foto: Embrapa/Divulgação

Atualmente, não existe no estado cultivo comercial de camarão. Toda a comercialização vem da pesca artesanal, praticada por ribeirinhos que usam o alimento tanto para consumo próprio, quanto para a venda, segundo a Embrapa.

Aquicultores, entretanto, já demostraram interesse em cultivarem o crustáceo de forma exclusivamente comercial.

“A gente não tem uma cadeia de valor totalmente compreendida, mas temos a estimativa: só de feira livre são mais de 350 toneladas de camarão comercializados anualmente. Isso representa em média R$ 4 milhões circulando nesses locais. Se for juntar supermercados, bares, restaurantes, mercearias, o mercado é muito maior”, frisou Farias, destacando a importância que o produto pode ter para economia local.

Existem hoje em Macapá 280 aquicultores que a Embrapa enxerga como potenciais criadores de camarão, já que a instituição confirmou a possibilidade de cultivo associado a espécies nativas como o tambaqui.

Pesquisadores, investidores e pescadores assistem palestra durante evento — Foto: Embrapa/DivulgaçãoPesquisadores, investidores e pescadores assistem palestra durante evento — Foto: Embrapa/Divulgação

Pesquisadores, investidores e pescadores assistem palestra durante evento — Foto: Embrapa/Divulgação

Um dos participantes do curso, que demonstrou interesse em investir nesse tipo de negócio é o empresário Raimundo Capiberibe, de 66 anos. Ele disse ter se inspirado em uma brincadeira de um ex-jogador de futebol, durante visita ao estado.

“Uma vez o Roberto Dinamite, do Vasco da Gama, veio para Macapá, andou pela cidade e concluiu que o Amapá é o lugar onde pobre come camarão, porque camarão é comida de rico. Então, se criar camarão não der lucro, dificilmente alguma outra coisa vai dar”, resumiu o empreendedor.

A Embrapa pensa em criar convênio com os produtores locais e fornecer as tecnologias para que eles possam realizar a criação.

O trabalho de pesquisa já acontece há 20 anos, tanto no Amapá, quanto no Pará. A pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Cristiana Maciel, diz que dentre os tecnologias geradas estão a aquaponia (sistema de produção de alimentos), levantamento de cadeia produtiva e experimentos com temperatura e luz. Tudo para ser descoberto o exato modo de criação do animal.

Pescadora Rosilda Pacheco faz anotação em workshop sobre cultivo de camarão  — Foto: Victor Vidigal/G1Pescadora Rosilda Pacheco faz anotação em workshop sobre cultivo de camarão  — Foto: Victor Vidigal/G1

Pescadora Rosilda Pacheco faz anotação em workshop sobre cultivo de camarão — Foto: Victor Vidigal/G1

A pescadora de camarão Rosilda Pacheco, de 44 anos, que desde 2015 exerce a profissão, esteve presente no workshop e já pensa em participar do projeto para ter um aumento na produção.

“O que a gente espera é o melhoramento da produção, porque atualmente fazemos tudo de forma artesanal, não temos a experiência de criar. E estou aqui para aprender e tentar levar as novidades para minha comunidade”, disse a mulher, que é da colônia de pescadores Z14, no distrito da Fazendinha.

O trabalho para implantar a criação do crustáceo no Amapá deve durar cerca de três anos, passando por diferentes etapas, desde o levantamento de produtores até o treinamento dos mesmos.

“O projeto teve início em novembro de 2018 e esse evento é a primeira ação. Vamos fazer um levantamento em campo de produtores que têm potencial para fazer o cultivo, depois aplicar capacitações técnicas, em seguida implantar unidades de acompanhamento, após unidades demostrativas. Em conjunto a isso, a ideia é a gente incubar alguns produtores, para que eles ganhem a informação técnica e mantenham a produção”, detalhou Farias.

De acordo com a Embrapa, hoje são cerca de 7 mil famílias que vivem da pesca de camarão em regiões como o arquipélago do Bailique e o estuário na fronteira entre o Amapá e Pará.

Pesquisadora Cristiana Maciel da UFPA — Foto: Embrapa/DivulgaçãoPesquisadora Cristiana Maciel da UFPA — Foto: Embrapa/Divulgação

Pesquisadora Cristiana Maciel da UFPA — Foto: Embrapa/Divulgação

Fonte: G1.Globo

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