Por que as galinhas estão em greve?

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Dizem os mais antigos, que no período que antecede a Páscoa, a produção de ovos diminui. A agricultora de Linha Estrela, Mônica Moraes, 41 anos, confirma a baixa produtividade. A família cria 120 galinhas poedeiras. A mulher conta que a média da ‘colheita’ é de 90 ovos por dia. ‘Nos últimos dias, não passa dos 40 ovos’, comenta.

Mônica enfatiza que o período de pico é entre outubro e dezembro. ‘Sempre me criei no interior, então nessa época de fevereiro e março a produção cai muito. Quando morava com minha mãe também era assim. Entretanto, isso não tem nada a ver com o coelho da Páscoa, mas sim com a luz que a galinha recebe’, explica.

A afirmação de Mônica está correta. O chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin, explica que a crise na produção dos ovos acontece com o pequeno produtor que não trabalha com a avicultura. ‘A galinha precisa de 12 à 14 horas de luz na retina, se está escuro ela dorme, e dormindo ela não produz’, observa. ‘As agroindústrias trabalham com a iluminação artificial. Por exemplo, no inverno a claridade chega a ser somente umas seis horas por dia, por isso, é necessário o uso de lâmpadas. Com isso a galinha fica mais tempo acordada.’

Fin destaca que os pequenos produtores são os que mais sentem. De certa forma, a queda também está associada com as mudanças da estação. ‘Antes o ‘dia’ terminava 20 horas, agora escurece antes, e com a chegada do inverno a produção de ovos cai.’

Agricultores com grande produção já se adequaram em relação à iluminação, os que criam galinhas poedeiras para consumo próprio também. Mônica salienta que no ano passado, ao perceber uma baixa na produção, já havia instalado lâmpadas no poleiro. Neste ano a medida ainda não foi adotada.

Entretanto, Mônica também acredita que a idade da galinha interfere na produção, então, quando elas começam a envelhecer é momento de substituí-las. Outra questão é quanto ao ciclo. ‘Tem períodos que a galinha fica choca, é natural isso, mas ela permanece mais tempo no ninho, e com isso, basta dormir uma noite no ninho e o ovo já está impróprio.’

Foto: Alvaro Pegoraro / Folha do MateNa propriedade de Mônica Moraes a
Na propriedade de Mônica Moraes a ‘greve’ das galinhas reduziu a produção mais da metade

Realidade de quem trabalha com a avicultura

Há quem não sinta essa queda na produção. É o caso do proprietário da Agroindústria Ovos Gold, de Vila Arlindo. Eduardo Kaufmann trabalha no ramo há 6 anos. ‘Aqui trabalhamos até 17 horas por dia com luz na granja, por isso, com essa iluminação não sentimos o baque.’

Além disso, Kaufmann destaca que a produção permanece constante. ‘Hoje estamos satisfeitos com o resultado, no início trabalhávamos com o tabaco. Não sei se a gente teria coragem para voltar, querendo ou não isso aqui dá certo. Tem épocas que, com o comércio ilegal, as vendas caem, mas quando falta ovo no interior a gente sempre tem o suficiente para abastecer os clientes’, enfatiza.

PREÇO NO COMÉRCIO
Sócia-proprietária da Padaria Bom Gosto, Claudete Zappe comenta que nos meses de novembro e dezembro, o preço dos ovos era mais barato e que nos últimos dias percebeu o aumento.
Ela explica que a padaria possui picos de produção. ‘Tem épocas, em datas comemorativas que utilizamos até 25 caixas por semana. Em outros momentos 12 a 15 caixas de ovos.’

Apesar da alteração no preço, Claudete destaca que o valor está mais barato em comparação a mesma época em outros anos. ‘Mas todo ano é assim, são ciclos. O valor oscila conforme a oferta do produto.’

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