Produtores colocam em xeque estimativas do Governo

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Produção nacional de carne irá registar um aumento à volta de 22% nos próximos três anos. Produtores duvidam das estimativas do Governo, que, segundo dizem, podem ser comprometidas pela falta de ração e uma população animal capaz de alimentar a indústria nacional.

Os últimos dados avançados em 2017 pelo ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Alexandre Nhunga, indicavam que na altura o País contava com uma população animal estimada em 4 milhões.

Gap em torno de 80%

Estima-se que Angola importe actualmente mais de 300 mil toneladas de carne, sendo que 90% corresponde a miudezas. O gap entre a quantidade importada e a produzida internamente gira em torno dos 80%.

Os últimos dados divulgados pelo Conselho Nacional de Carregadores (CNC), que remontam ao primeiro trimestre de 2016, ilustram que naquele período as carnes e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas ocupavam a quarta posição entre os produtos mais importados.

De acordo com os dados do CNC, que deixou de publicar o boletim estatístico no seu site desde àquela data, no primeiro trimestre de 2016 o País importou 55.552 toneladas de carnes e miudezas comestíveis. Em 2017, durante o acto de inauguração do Matadouro de Kikuxi, em Luanda, o ministro da agricultura e florestas, Marcos Alexandre Nhunga, revelou que a importação anual de carne no país está avaliada em 450 mil toneladas, 106 mil toneladas acima da produção que Angola pretende alcançar nos próximos três anos, cuja evolução média anual será em torno dos 5,5%.

Censo Agro-pecuário arranca este ano

A fonte do ministério de tutela que temos vindo a citar avança que o Recenseamento Agro-pecuário e Pescas (RAPP) que estava previsto para o ano passado será realizado este ano ou mais tardar no próximo, de modo a determinar a quantidade e qualidade de animais existentes no País e redefinir estratégias do sector, assim como planear uma indústria de produção de carne que considere a cadeia , desde a produção de ração para engorda, vacinas, matadouros, embalagem e a cadeia de distribuição.

O Censo irá decorrer em todo o território nacional e, segundo avançou esta semana o Instituto Nacional de Estatística,

está orçado em 24,9 milhões USD, que serão financiados pelo Banco Mundial. Dos 24,9 milhões USD, 594 mil USD serão destinados à realização de dois inquéritos por amostragem dos sectores da agricultura e pescas, depois do recenseamento geral, cujos resultados foram prometidos para o último trimestre de 2019.

Em declarações à imprensa no edifício sede do Instituto Nacional de Estatísticas, à margem da consulta pública com a sociedade civil sobre o Recenseamento Agro-pecuáro, Camilo Ceita disse, em Novembro de 2018, que o recenseamento vai envolver mil inquiridores que começaram a ser formados no ano passado.

De acordo com o cronograma distribuído pelo INE aos jornalista esta semana, neste momento decorre o processo de formação dos gabinetes provinciais e municipais, que prolongar-se-á até finais de Março do ano em curso.

Na página 164 do Plano Nacional Desenvolvimento (PND) 2018-2022, sobre as metas, o Governo estima aumentar 53% a produção anual de carne até 2022 em relação a 2017. O documento refere ainda que até 2022, 13% do consumo nacional de transformados de carne será satisfeito por produção interna. A mortalidade animal, diz o documento, diminui de 12% em 2017 para 2% em 2022.

A prevalência das principais doenças animais idem, diminui de 15% em 2017 para 5% em 2022. O PND coloca a pecuária entre as prioridades para o incentivo do empresariado privado, com estratégias que visam uma maior organização das fazendas.

Fonte:Mercado

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