Recobrimento de Ração: Banha x Óleo de Frango – Custo

Eng. Rafael Resende Silva

Nos últimos vídeos começamos a explorar um pouco mais o tema de aplicação de líquidos dentro dos novos sistemas de aplicação que podem até ter sistema a vácuo.

Dentro desse tema e pensando em deixar o sistema ainda mais explicado, acabei criando o um sistema de aplicação de líquidos de bancada na qual tem ajudado a fazer esses testes e de acordo com os últimos vídeos, obtive resultados bem parecidos com os equipamentos padrões de mercado.

Hoje vamos falar de um tema mais administrativo, que o custo para fazer a aplicação desses líquidos, de acordo com as características de cada produto e analisando custo para aplicação será que o mercado está apostando na matéria prima correta?

Vamos descobrir juntos essa resposta analisando os pontos necessários para podermos tomar uma melhor decisão. Contudo antes do custo vamos deixar as características de cada tipo de óleo usado nas fábricas de ração.

Gordura de aves: a gordura de aves é, provavelmente, a melhor fonte de gorduras para ração. Devido à sua digestibilidade, qualidade e sabor, ela é muito usada na fabricação de ração de pequenos animais domésticos, como cães e gatos.

A indústria avícola tem utilizado em larga escala subprodutos de abatedouros adicionados às rações, como o óleo de vísceras de aves, que tem como principal vantagem o baixo custo e o alto conteúdo energético já mencionado. No entanto, o perfil de ácidos graxos deste óleo favorece o desenvolvimento da rancidez oxidativa devido à grande quantidade de ácidos graxos insaturados, principalmente os ácidos oleicos (C18:1) e linoleico (C18:2). Os efeitos negativos do fornecimento do óleo oxidado na dieta sobre o desempenho de frangos de corte já foram muitas vezes demonstrados e acredita-se que a redução do crescimento pode ser atribuída à presença dos produtos da oxidação, que levam a valores reduzidos de energia da dieta pelo decréscimo do valor biológico do ingrediente oxidado (RACANICCI et al., 2004).

Banha de Porco: a banha encontrada é de suíno e possui um ponto de fusão mais baixo do que o sebo. A procura por carne magra tem levado a uma oferta cada vez maior de banha para a indústria de ração. Entretanto, em nosso país, ainda é relativamente pequeno o uso de banha em ração;

A banha oxida menos do que o óleo
A grande diferença entre a banha e o óleo refinado, por exemplo, é que a primeira é rica em ácidos graxos monoinsaturados, o que significa que é mais resistente ao calor e não sofre a mesma oxidação que os óleos refinados quando exposta à altas temperaturas. Essa oxidação é prejudicial à saúde porque libera componentes inflamatórios e tóxicos para o organismo. 

Óleo de soja: é uma excelente fonte de ácidos graxos essenciais apresentando, em sua composição, 50 % de ácido linoleico e 7 % de ácido linolênico, além de 23,3 % de ácido oleico, tendo consequentemente. (FERRARI et al., 2005; SILVA et al., 2006; TSUTSUMI, 2005).

É uma excelente fonte de energia para monogástricos, como suínos e aves de corte.

Amplamente empregado para compor rações de outras espécies animais, nas quais se deseja aumentar a concentração energéticas das dietas.

O grande limitante do uso de um tipo de óleo ou outro é o preço da gordura e os benefícios que ela irá proporcionar na ração. Atualmente o que demanda o uso é o preço comercializado atualmente, abaixo segue os preços dos óleos citados:

Tipo de Óleo

Preço / Ton

Óleo de Soja

R$ 2.750,00

Óleo de Vísceras

R$ 7,450,00

Banha Suína

R$ 7.300,00

** valores com data de 22/10/2021

Comparando os valores dos óleos temos que o óleo de soja é o mais barato e o óleo de vísceras de aves é o mais caro, contudo proporciona uma digestibilidade melhor para as rações.

Outro ponto positivo é a distribuição e armazenamento, por estar em forma liquida as empresas compram e armazenam em tanques próprios para esse produto.

Pelo contrário, a banha suína tem características diferentes, por necessitar uma cadeia de frio para armazenar o produto e é necessário ter um bom aquecimento dos tanques pelo fato da banha ser sólida.

Outro ponto que nesse monte descredencia a banha suína de compor as formulações das rações e foto de ter que montar uma cadeia de frios para poder armazenar o produto até o momento do uso.

Se torna um investimento alto para as empresas e as mesmas precisam pensar que esse produto precisar ser utilizado em formulações premium a produtos superiores.

Abaixo temos os custos de uma câmara fria pequena para uma indústria de ração:

Considerações

Dimensões

Custo

Câmara fria para temperatura de até -18º

2,60 X 2,30 X 2,70M – 16m³ R$ 25.500,00 a 29.900,00

Consumo Energia/Mês

1,15 Kw/h

R$ 830,00

Funcionário para manipular os produtos (Com encargos)

R$ 2.500,00

Custo Final a incorporar na ração

De R$ 10,5 a R$ 13,50

De acordo com as análises de custos que estamos acompanhando conseguimos entender o porquê não conseguimos utilizar a banha de porco nas fábricas de ração. Se formos colocar na ponta do lápis, todas as variáveis que temos esse valor se torna muito alto por 2 motivos basicamente:

  • Funcionário para tomar conta da cadeia de frios: esse funcionário tem a função de abastecer os tanques de pesagem que quando se trabalha com óleo de soja e de frango realizam o trabalho automaticamente dispensando o uso de funcionários para acompanhar a pesagem;
  • O uso da cadeia de frios, essa é fundamento para que o produto saia na qualidade desejada no final, como ele inibi as reações de oxidação que ocorre na gordura quando e ela está exposta aos agentes: Oxigênio, Luz e Calor.

Em relação ao valor eu disse que ele ia variar pois até quitar a câmara fria o empresário terá que contabilizar em seus custos o gasto com a compra do equipamento.

Bom pessoal espero que tenham gostado de mais esse texto, complementando o que foi dito no vídeo.

Aguardo vocês em um próximo vídeo!

Eng. Rafael Resende Silva

 

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