Reforma poderá desestimular processamento de grãos

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A tendência de alta das exportações brasileiras de grãos poderá ser intensificada com a reforma tributária em análise por deputados e senadores. A possível oneração de insumos e a utilização de créditos presumidos por exportadores de produtos in natura tendem a reduzir as margens das indústrias no esmagamento de soja e milho, apesar do cenário de boa demanda por farelo e biodiesel.

 

A proposta está prevista no projeto de lei do governo federal que cria a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) com alíquota de 12% – inclusive sobre os insumos, hoje isentos. “Ela cria um crédito presumido amplo de 15% da alíquota do CBS para quem comprar o produto in natura. Para cada tonelada de soja exportada, terá crédito e não haverá custo e risco de industrializar”, afirma o presidente-executivo da Associação das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Se vingar, a medida poderá ser mais um desestímulo à industrialização, a exemplo do que ocorreu a partir de 1996 com a Lei Kandir. “Se hoje exportamos 60% da soja em grão [que produzimos], passaremos a exportar tudo in natura”, diz. A tributação dos grãos para exportação, que poderia equilibrar a relação, é praticamente descartada por interferir no preço pago aos produtores.

Segundo Nassar, nesse contexto haverá aumento dos preços internos dos subprodutos e redução da geração de empregos e impostos na cadeia processadora. “Se desestimular a indústria, vai subir o preço de farelo, óleo e ração. É ruim para o setor de carnes e gera um efeito em cadeia em todo o agronegócio”, afirma.

Já quando a soja ou o milho são industrializados para virar farelo ou óleo, consumidos no Brasil ou enviados para fora, as empresas se creditam com base em itens tributados utilizados no processamento, como energia e diesel. O acúmulo de crédito dos esmagadores de soja com impostos federais (PIS/Cofins) é de R$ 4 bilhões ao ano, que podem ser abatidos em outros impostos federais.

Com a intenção de tributar os insumos utilizados na ponta pelo produtor, o governo decidiu ampliar a base do crédito presumido, incluindo a exportação, e simplificar a não cumulatividade de impostos. “O governo precisa desonerar os insumos dedicados. Tributar esses itens e passar crédito amplo não vai resolver o problema”, diz Nassar.

Os produtores engrossam o coro para manter os insumos agropecuários desonerados. Mas, se a proposta do governo vingar, o setor produtivo defende que o crédito presumido seja amplo, para não ficar ainda mais “dependente” das tradings. “A concentração de mercado vai aumentar”, afirma Thiago Rocha, da Aprosoja-MT. “Se a exportação não tiver crédito presumido, a trading vai incluir custo na formação de preço e o produtor vai receber menos”.

Fonte: Beef Point

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