Resíduo de cogumelo vira ração para cães

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Renata e o orientador João: juntos eles desenvolveram um produto premium, sem ingredientes de origem animal
Renata e o orientador João: juntos eles desenvolveram um produto premium, sem ingredientes de origem animal

Utilizar resíduos que eram descartados no meio ambiente e com eles produzir ração canina de alta qualidade – melhor do que muitas “premium” que existem no mercado. Foi pensando nisso que Renata Laurito Garcia, doutoranda em Engenharia e Ciência de Alimentos, da Unesp de Rio Preto, passou a pesquisar sobre o assunto e criou uma ração usando talos de Champignon de Paris – cogumelo mais cultivado no Brasil e com alto valor nutricional.

A ideia surgiu depois que Renata visitou uma loja de cogumelos, que possui fabricação própria de Champignon de Paris, em Jarinu, e viu que os talos do alimento não eram utilizados para consumo nem para a comercialização e, por isso, acabavam sendo descartados. A fim de evitar tal desperdício, a estudante começou a pesquisar maneiras de aproveitar esses resíduos.

“Reduzindo o desperdício diminuímos também o impacto ambiental causado pelo descarte. Nós pesquisamos o valor nutritivo desses talos e verificamos que eles possuem alto teor de proteína. Isso guiou nossos estudos para a busca de processos que demandassem ingredientes proteicos de boa qualidade, nisso chegamos até a indústria de alimentação animal”, explica.

Levantamento feito pela doutoranda durante sua pesquisa mostra que o talo representa 26% do peso total desse tipo de cogumelo. Atualmente, 3 mil toneladas do resíduo são descartadas por ano no País. “Esse resíduo de cogumelo que não é utilizado para nada tem praticamente todos os aminoácidos essenciais aos cães, que são elementos fundamentais para o bom funcionamento do metabolismo dos animais. Além disso, poderemos oferecer ao mercado uma ração diferenciada, com ingredientes de boa qualidade e sem o emprego de ingredientes de origem animal”, acrescenta.

O orientador do projeto, professor doutor João Cláudio Thoméo, lembra que até então nem indústria nem pesquisadores haviam se atentado para o alto índice de desperdício do produto, tampouco encontrado uma solução para ele. “Juntou uma necessidade dos produtores de cogumelo com uma necessidade nossa de aplicar todo o conhecimento que temos de biologia. Até então, ninguém havia se preocupado em utilizar esses resíduos que eram descartados e que são muito ricos em proteína. Você pega uma coisa que era jogada fora, e que tem um valor enorme. Acrescentá-lo à ração animal agrega muito valor ao produto”, ressalta.

Porções dessa ração já foram produzidas em laboratório, em caráter experimental. Oferecido a alguns animais, o alimento foi bem aceito, deixando a pesquisadora otimista com os resultados. A próxima etapa agora é viabilizar a produção e comercialização da ração. “O custo do produto final é ligeiramente mais elevado que o custo de produção das rações premium comercializadas atualmente, porém, o ganho em valor nutritivo justifica a produção para um consumidor diferenciado. Ainda assim, estamos desenvolvendo novos estudos econômicos, buscando reduzir os custos de produção e, com isso, disponibilizar um produto mais acessível ao consumidor”, diz.

A pesquisa para desenvolver a ração a partir dos resíduos de cogumelo já foi finalizada e está sendo apresentada em congressos e simpósios da área de engenharia de alimentos.

Ração desenvolvida em laboratório foi bem aceita pelos animais

Mercado pet em expansão

O mercado pet é um dos que mais cresce no País. O último levantamento feito pela Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), divulgado no ano passado, mostra que o setor faturou cerca de R$ 20,3 bilhões, colocando o Brasil entre os países que mais faturam nesse setor.

Quando o assunto é animal de estimação, a área de alimentação, o pet food, é a que mais produz e fatura. Ainda segundo a pesquisa, o volume de pet food produzido no País foi de 2,66 milhões de toneladas.

Uma das justificativas para esses números é o aumento da presença de animais de estimação nos lares brasileiros. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – existem cerca de 132,4 milhões de animais de estimação no Brasil, sendo 52 milhões de cães, estando eles presentes em 44,3% dos lares. (SM)

Fonte: Diário da região

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