Saúde bucal dos cães merece atenção especial por parte dos donos

Higiene oral, escovação e produtos funcionais mastigáveis são essenciais para os bichinhos

SABRINA MOURA*

Outubro, além de ser o mês de comemorar o Dia do Dentista, também é o mês da conscientização da saúde bucal. Não são apenas os humanos que precisam se atentar à questão da saúde bucal; os cães também necessitam de cuidados extras diários. Muitas pessoas desconhecem ou ignoram o fato de que a boca é uma das principais causadoras de problemas e doenças em animais. De acordo com Marco Leon, especialista em Odontologia e sócio-fundador da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária (Abov),  o mau hálito, por exemplo, pode ser indício que o pet esteja sofrendo de doença periodontal. “Este mal atinge 80% dos cães com mais de 3 anos de idade e pode gerar complicações sérias, como perda de dentes e migração de bactérias para rins, fígado e coração”, afirma o médico veterinário.

Causada pela proliferação de bactérias na boca do animal, a doença periodontal quase não apresenta sinais, tornando-a ainda mais perigosa. Neste mês, vale o alerta de que, geralmente, o desenvolvimento de doenças são quase sempre os mesmos: a falta de cuidado do tutor. “A maioria deles acredita que os dentes e as gengivas de seu animal estão saudáveis, porém, quatro em cada cinco cães com mais de 3 anos de idade têm problemas nas gengivas”, diz o especialista.

O mau hálito é o único sinal de que pode haver algo errado. “A maioria das doenças orais tem progressão rápida e silenciosa e só podem ser detectadas precocemente com a inspeção da boca por um médico veterinário ou tardiamente pelos tutores”, conta Marco Leon. Por esse motivo,  segundo o veterinário, os cães devem ser submetidos ao exame oral regularmente, especialmente se apresentarem algum dos seguintes fatores de risco: ter mais de 3 anos de idade; apresentar dentes mal posicionados; demonstrar salivação excessiva e apresentar dificuldade em mastigar o alimento.

Dados

Um estudo realizado pelo Centro de Nutrição e Bem-Estar Animal WALTHAM™, referência científica no cuidado, nutrição e bem-estar animal, mostrou que cães pequenos e idosos são mais suscetíveis à doença periodontal. A pesquisa analisou a progressão da doença em cães da raça schnauzer miniatura, e descobriu que, sem higiene oral eficaz e frequente, a doença periodontal se desenvolveu rapidamente e avançou ainda mais rapidamente com a idade. Os cães pequenos, por possuírem dentes proporcionalmente grandes ao reduzido tamanho e espaço de sua boca, têm predisposição ao acúmulo de placa bacteriana, o que favorece a formação de tártaro e, consequentemente, o mau hálito.

Mas o risco vai além da boca: ela favorece a entrada de bactérias na corrente sanguínea, o que pode acarretar em outras complicações à saúde do animal, afetando inclusive órgãos vitais ou mesmo causando malefícios às articulações. Por isso os cuidados com a saúde bucal devem começar cedo, incluindo escovação regular, complementada com produtos funcionais mastigáveis específicos para a saúde bucal, e visitas frequentes ao médico veterinário.

Escovação 

Segundo Marco Leon, a escovação diária dos dentes do cão é necessária a partir dos 6 meses de idade, porém o hábito a esse cuidado pode começar logo cedo, nos primeiros meses de vida: “O veterinário tem o papel de orientar o tutor sobre a correta forma de realizar a higiene oral e associar a escovação a um estímulo positivo, como uma brincadeira, um passeio ou um carinho, ajuda na aceitação pelo pet”.

A pasta dental veterinária, de acordo com o veterinário, tem um sabor agradável para os cães e facilita a escovação, mas seu uso não é obrigatório, pois a fricção da escova já é suficiente para limpar os dentes. “Utilizar, com delicadeza, uma escova dental com cerdas macias evita lesões. As escovas para humanos podem ser utilizadas, porém as versões veterinárias têm a vantagem da ergonomia, pois são desenvolvidas conforme a anatomia oral dos cães”, orienta o veterinário, que alerta: “A pasta dental para humanos não é recomendada, porque o teor de flúor presente nelas é tóxico para os animais”.

Ainda segundo o especialista, o cão deve estar bem acomodado. “Carícias e mimos ajudam a deixá-lo receptivo à escovação. A escova necessita estar posicionada a um ângulo de 45° em relação à superfície dos dentes para que as cerdas penetrem suavemente no sulco gengival. Movimentos circulares são corretos”.

E o veterinário conclui: “No início, vai ser difícil acostumar seu cãozinho à escovação dos dentes, portanto comece a massagear sua gengiva com os dedos, sem pasta mesmo, apenas para que ele se acostume com esse ato. Tenha paciência e massageie até ele não deixar mais. Faça isso por alguns dias, e, então, comece com a escova e pasta. O ideal é realizar a escovação diariamente, pois a placa bacteriana se instala e acumula de 24 a 48 horas”.

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da editora Flávia Popov

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