Será que seu bichinho de estimação está precisando de regime?

Os seres humanos não são os únicos habitantes dos Estados Unidos a engordar ano após ano. Além de nós, não é de surpreender que os cachorros e gatos com quem dividimos nossa vida compartilhem também da nossa tendência a comer em excesso.

Só que, diferentemente dos donos, o animal da família não é capaz de abrir a geladeira nem de alcançar guloseimas no alto dos armários sem a ajuda de um humano. Ou seja, a responsabilidade pela obesidade dos animais de estimação é de você-sabe-quem. Segundo reportado por veterinários, quase metade dos cachorros atendidos estão acima do peso ou obesos, mas apenas 17 por cento dos donos assumem que seus animais de estimação estão gordos. “O restante sabe que o animal está acima do peso, mas não acha que seja um problema. Errado!”, sentenciou Deborah Linder, que dirige a Tufts Obesity Clinic for Animals Clinical Nutrition Service (Clínica de Obesidade para Animais e Serviço de Nutrição).

De acordo com a Nationwide, a maior seguradora de saúde para animais do país, a obesidade entre cachorros e gatos vem crescendo há oito anos seguidos, junto com queixas de enfermidades relacionadas ao problema. Em janeiro, a Nationwide divulgou que as solicitações de despesas veterinárias de 2017 passaram de 69 milhões de dólares (cerca de 250 milhões de reais), um aumento de 24 por cento nos últimos oito anos. Como apenas dois por cento dos animais de estimação estão assegurados, os custos para os donos de animais acima do peso podem chegar aos bilhões.

Questões financeiras à parte, o prejuízo que o excesso de peso causa à saúde, à qualidade de vida e à longevidade do animal é muito maior do que a maioria dos proprietários imaginam. As doenças mais comuns ligadas à obesidade que acometem cachorros e gatos são artrite, doenças cardíacas, infecção urinária, doença renal crônica, doença hepática, diabetes, pressão alta e doenças de coluna.

Um estudo que investigou labradores retrievers, raça particularmente suscetível ao sobrepeso, revelou que os quilos em excesso podem encurtar em quase dois anos a vida do animal. Portanto, se você ama seus bichos metade do que eu amo os meus, deveria se esforçar para mantê-los magros ou, se eles já estão rechonchudos, seguir as recomendações dos veterinários para ajudá-los a entrar em forma.

Um estudo da Universidade de Liverpool que submeteu 50 cachorros obesos a um programa de perda de peso confirmou a importância de eliminar o excesso de gordura do corpo. Os 30 animais que conseguiram atingir o peso inicialmente estipulado demonstraram maior vitalidade, menos dor e menos problemas emocionais do que aqueles que continuaram gordos.

Entretanto, assim como se dá entre as pessoas, a prevenção é o melhor caminho. Uma maneira de evitar que os bichos de estimação ganhem muito peso é pesá-los periodicamente. Meu bichon havanês sobe na balança a cada visita ao veterinário, seja ela de rotina ou não. Se vejo que ele ganhou mais do que meio quilo, controlo um pouco as refeições e os petiscos; estes, Linder enfatizou, não devem representar mais do que dez por cento das calorias diárias de um cachorro.

“Amamos nossos animais e queremos agradá-los, mas, geralmente, não analisamos esses petiscos do ponto de vista das calorias. Elas se acumulam ao longo do tempo. Seria melhor demonstrar nosso amor de outra maneira além da comida”, sugeriu John P. Loftus, veterinário na Escola de Medicina Veterinária da Universidade Cornell.

Linder me explicou que “tudo conta como petisco, incluindo ossos e biscoitos para cães”, assim como os restos da nossa comida que oferecemos a eles. Guloseimas usadas para adestramento ou compensação devem conter poucas calorias, como Fruitables Skinny Minis ou Zuke’s Mini Naturals.

Em vez de exagerar nas recompensas, dê amor e atenção ao seu cachorro brincando com ele de bola, de pegar um objeto ou de cabo de guerra, que são exercícios que facilitam a queima calórica. Gatos também adoram brincar de se engalfinhar com coisas, como um ratinho de brinquedo ou uma bola de lã. Para os animais muito velhinhos ou sem vontade de brincar, você pode mostrar seu amor com um cafuné livre de calorias, uma massagem na barriga ou carinho atrás das orelhas.

Independentemente de alimentar seu cachorro uma, duas ou até quatro vezes por dia, você deve sempre medir a quantidade de comida colocada na vasilha. Muitos donos se guiam pela indicação de porção da embalagem, mas ela não passa de uma diretriz genérica que tende a pecar pelo excesso, Loftus advertiu. Nem todos os animais são metabolicamente iguais ou igualmente ativos. A melhor maneira de determinar se a quantidade de comida que você oferece está boa ou não é observando se seu bicho está ganhando ou perdendo peso, disse ele. Seu colega na Cornell, Joseph J. Wakshlag, complementou: “A embalagem deveria aconselhar da seguinte forma: ‘Por favor, ofereça ao animal a menor quantidade recomendada e aumente a porção apenas se ele estiver perdendo peso.'”

Sobre a dúvida entre oferecer ração seca, comida enlatada ou uma combinação dos dois, Loftus disse que “ainda não se sabe o que é melhor”. Wakshlag completou: “As calorias fazem a diferença, não a comida. Você pode oferecer uma pequena quantidade de um alimento altamente calórico e obter perda de peso se for diligente. Em geral, as comidas em lata desenvolvidas para perda de peso são menos calóricas do que as opções de ração seca com o mesmo propósito.”

Igualmente importante é aprender a resistir quando os animais implorarem por mais comida do que precisam. Linder ensina: “Se você já está suprindo as necessidades nutricionais do seu bicho de estimação, ele não está passando fome. O que ele quer é sua atenção. Melhor distraí-lo com uma atividade.”

Gatos podem ser mais desafiadores do que cachorros. Eles costumam “beliscar” em intervalos irregulares, estimulando os donos a deixar um pratinho de comida sempre à disposição, o que, segundo Linder, vira um problema: “Nunca encontrei um animal capaz de comer sem limites e ainda assim perder peso.” Para os bichanos que pedem comida às quatro da madrugada, ela sugere usar um dispensador de comida automático. Gatos aprendem rapidamente quando o alimento será disponibilizado e ficam esperando no comedouro em vez de cutucar os donos, justificou.

Claro, atividade física regular – de 15 a 30 minutos por dia – é importante para o bem-estar geral do cachorro, mas, dificilmente, será suficiente para ajudar o animal a perder peso, “a não ser que ele esteja correndo 5 km por dia”, ponderou Linder. “Ele não vai queimar as calorias de um osso com uma volta no quarteirão.”

O objetivo de perda de peso ideal é de aproximadamente um a dois por cento do peso do animal por semana. Se reduzir a porção das refeições não for eficaz, existem alimentos comercializados ou dietas prescritas cujo propósito é a perda de peso. Mude os alimentos de forma gradual, aumentando a proporção do novo durante uma ou duas semanas para evitar problemas digestivos. E, antes de submeter qualquer animal a uma dieta de perda de peso, agende um exame para ter certeza de que não há nenhuma razão médica por trás do ganho de peso.

Por Jane E. Brody

Fonte: GauchaZH

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